O quarto do hotel era pequeno demais para a irritação dos dois hospedes..
A cama impecável, lençóis brancos e caros demais, cheiro de amaciante chique no ar e aquela luz amarelada de abajur que tentava fingir aconchego… mas não escondia a tensão.
Justin estava andando de um lado pro outro feito um animal preso. O celular ainda na mão, os dedos tremendo de raiva, o maxilar tão travado que parecia que ia quebrar.
— Isso não existe… isso não existe, caralho… — ele resmungava, passando a mão pelo cabelo. — Dante Aldrich Blackstone… quem esse filho da puta acha que é?!
Amélia estava sentada na cama, as pernas cruzadas, o roupão do hotel aberto o suficiente pra parecer casual, mas era calculado como tudo nela.
Ela observava.
E esperava.
Sem pressa.
— Você tá me ouvindo?! — Justin parou de repente, encarando ela como se quisesse arrancar uma reação na força. — A sua irmã tá com aquele cara! Com O cara! E eu tenho certeza que ela fez isso só pra me atingir!
Amélia piscou devagar.
Uma vez.
Duas.
E depois revirou os olhos com uma paciência falsa que ela nem tentava esconder.
— Justin, pelo amor de Deus… — ela suspirou. — Você tá parecendo uma ex-namorada abandonada.
— Eu sou o noivo dela! — ele explodiu, a voz subindo. — Ou eu ERA, sei lá! Mas essa vadia não vai simplesmente sumir e aparecer com um bilionário como se fosse normal!
Amélia apoiou o queixo na mão, olhando pra ele como quem assistia um show ruim.
Por dentro, ela estava tranquila, e isso era o mais perigoso, porque enquanto Justin estava quebrando por fora… ela estava montando uma coisa por dentro.
Uma estratégia.
Uma visita.
Um plano.
— Você não tá nem um pouco revoltada? — Justin perguntou, a voz carregada de acusação. — Ela é sua irmã!
Amélia sorriu, não foi um sorriso bonito e sincero, não era felicidade ali.
Foi pequeno.
Venenoso.
— Eu tô pensando, Justin.
Ele bufou.
— Ah, tá. Pensando. Você sempre tá “pensando”…
Amélia deixou o sorriso crescer um pouquinho mais, só o suficiente pra parecer inocente.
— E você sempre tá “gritando”. — A voz dela veio doce demais. — A gente se completa.
Justin fechou a cara, e voltou a andar como se cada passo fosse uma ameaça ao chão.
— Eu vou dar um jeito. — Ele rosnou. — Vou descobrir onde esse desgraçado mora e eu vou até lá. Vou tirar a Liana de perto dele nem que eu precise fazer um escândalo.
Amélia inclinou a cabeça, um brilho rápido atravessou os olhos dela.
— Você vai? — ela perguntou, calma.
Justin parou.
— Vou. — respondeu, firme. — E você vem comigo.
Amélia fingiu pensar.
— Talvez.
Justin arregalou os olhos.
— Talvez?!
Amélia deu de ombros, pegando o celular.
— Vai que você apanha e eu preciso gravar… — murmurou.
— Você é impossível! — ele rosnou.
Amélia não respondeu, porque agora ela já estava com o G****e aberto.
Digitando.
“Condominio onde Dante Aldrich Blackstone mora”
Os resultados apareceram rápido.
Notícias demais.
Fotos demais.
Texto demais.
E o nome dele ali, repetido como se o mundo inteiro fizesse questão de lembrar quem mandava naquela cidade.
Dante Blackstone.
CEO da Blackstone Enterprises.
Bilionário. Implacável. Recluso. Viúvo.
Amélia rolou a tela sem pressa, absorvendo tudo como uma cobra absorve calor.
E então… achou o que queria.
Um artigo idiota de revista social.
“O mistério do homem mais poderoso de Stormcity: o condomínio de luxo no meio da floresta.”
Ela abriu, leu e sorriu. Agora sim um sorriso animado, quase feliz.
— Achei. — murmurou, mais pra si mesma do que pra Justin.
Justin virou o rosto rápido.
— Achou o quê?
Amélia ergueu o celular como quem mostrava uma arma carregada.
— Onde ele mora — disse, simples.
Justin congelou por um segundo.
Depois seus olhos brilharam, não de inteligência.
De vingança.
— Onde?
— Blackstone Hills. — Amélia respondeu, lenta, saboreando o nome. — Um condomínio fechado no meio da floresta. Segurança privada, portões, estrada exclusiva… aquele tipo de lugar que só existe pra gente rica se esconder do mundo.
Justin soltou um riso sem humor.
— Filho da puta…

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