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A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 45

O caminho de volta para a alcateia pareceu mais longo do que de costume.

Liana estava sentada no banco de trás do carro preto, as mãos entrelaçadas no colo, os olhos fixos na paisagem que passava pela janela sem realmente enxergar nada. A floresta corria ao redor, densa, silenciosa demais, como se guardasse segredos que se recusavam a vir à tona.

Anton estava desaparecido.

A palavra ecoava na cabeça dela, insistente, incômoda.

Ela não queria se importar, não devia se importar.

Ele era o cara mal que matava, destruía, ameaçava… Não devia se preocupar com ele, certo?

Mas se importava.

O ruivo irritante, perigoso, provocador… o homem que a puxara para um beco e a deixara com mais perguntas do que respostas havia simplesmente sumido. E por mais que Liana dissesse a si mesma que aquilo não era problema dela, algo no fundo do estômago se revirava de preocupação.

E de dúvida.

Será que foi Dante? Será que ele seria capaz disso… Dar um fim no proprio irmão?

A ideia a fazia estremecer.

Algo dizia a ela que a disputa entre eles era muito mais longa do que ela podia sequer imaginar, mas nenhum dos dois abria o jogo de verdade e Liana estava exausta de precisar decidir em quem confiar, mesmo sem saber toda a história.

Quando o carro finalmente cruzou os portões da alcateia Blackstone, Liana respirou fundo. As luzes da mansão surgiram à frente, imponentes, sólidas, como sempre. Aquele lugar que deveria significar segurança agora parecia… pesado.

O motorista abriu a porta.

— Boa noite, senhorita.

Ela agradeceu com um aceno distraído e entrou na casa sem trocar muitas palavras. Subiu as escadas quase no automático, perdida demais nos próprios pensamentos para prestar atenção em qualquer coisa ao redor.

Só quando entrou no quarto foi que parou de repente.

Havia um vestido sobre a cama.

Vermelho.

Não um vermelho qualquer, mas um tom profundo, intenso, quase provocador demais. O tecido parecia caro, macio, desenhado para abraçar curvas. Um vestido feito para ser notado, para ser desejado.

O jantar.

Ela havia esquecido completamente.

Liana fechou a porta atrás de si e ficou parada por alguns segundos, encarando a peça como se ela pudesse responder às perguntas que rodopiavam em sua cabeça.

Não estava no clima, não estava tranquila, não estava em paz.

Mas tinha prometido.

E, no fundo, queria respostas.

Suspirou, passando a mão pelo rosto, e começou a se arrumar. O banho foi rápido, quase mecânico, enquanto se vestia, o toque do tecido contra a pele fez algo se mexer dentro dela, não exatamente desejo, mas a lembrança do que Dante despertava, mesmo quando ela estava irritada com ele.

Quando terminou, olhou o próprio reflexo no espelho.

Estava bonita.

E aquilo a irritou um pouco.

Saiu do quarto e deu de cara com Sandra no corredor.

A loba estava encostada na parede, os braços cruzados, o vestido claro contrastando com o olhar escuro e carregado de desprezo. Os olhos dela deslizaram pelo corpo de Liana sem disfarçar o nojo.

— Vejo que o alfa continua te tratando como uma rainha — Sandra comentou, a voz afiada. — Aproveita enquanto pode.

Liana parou por um segundo.

Virou-se lentamente, erguendo o queixo.

— Sabe o que dizem, né? — respondeu, com um meio sorriso frio. — Cachorra que ladra demais… geralmente não morde.

O rosnado saiu baixo, involuntário, do fundo da garganta de Sandra.

— Você vai cair desse pedestal — ela sibilou. — E quando cair, não vai sobrar ninguém pra te segurar.

Liana sustentou o olhar por mais um segundo, depois simplesmente virou as costas, estava cansada daquela ladainha de loba ferida.

— Boa noite, Sandra.

E seguiu em frente sem olhar para trás.

O carro a levou para fora da alcateia, atravessando estradas silenciosas até chegar ao restaurante.

Ou melhor… ao prédio que costumava ser um restaurante.

Porque o lugar estava fechado, completamente, cercado por seguranças que não permitiam ninguém passar ninguém além dela.

Luzes suaves iluminavam o interior elegante, mesas arrumadas, música baixa tocando ao fundo. Nenhum outro cliente à vista, apenas funcionários discretos e um homem alto parado perto da entrada.

Dante.

Ele estava de terno escuro, sem gravata, os cabelos arrumados de forma casual demais para alguém que parecia sempre no controle absoluto de tudo. Quando a viu, os olhos dele se suavizaram de um jeito que a pegou desprevenida.

Ele se aproximou sem pressa.

— Está linda — disse, com um sorriso e um alívio no olhar.

Tinha medo que ela simplesmente se recusasse a ir.

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