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A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 46

Tudo estava escuro.

Não era apenas ausência de luz, era uma escuridão espessa, viva, que parecia pressionar o corpo de Anton por todos os lados. Ele abriu os olhos de repente, puxando o ar com dificuldade, o peito ardendo como se tivesse sido esmagado. Cada respiração doía, estava tonto e mal conseguia ver um palmo a sua frente.

Estava amarrado.

Os pulsos presos acima da cabeça, cordas grossas mordendo a pele, as pernas imobilizadas. O corpo inteiro latejava, músculos rígidos, costelas doloridas, o gosto metálico de sangue seco ainda presente na boca.

— Porra… — murmurou, a voz rouca demais até para seus próprios ouvidos.

Dentro dele, algo se mexeu.

“Estamos vivos.” A voz veio arrastada, cansada, ferida.

— Elariel… — Anton fechou os olhos por um segundo, tentando se conectar melhor com seu lobo.

“Machucados, muito machucados.” O lobo rosnou baixo, irritado. “Mas não quebrados.”

Anton puxou as cordas instintivamente, testando os nós. Elas não cederam nem um centímetro.

— Onde diabos estamos?

“Lugar antigo.” Elariel se mexeu inquieto sob a pele dele. “Cheira a mofo. A pedra. A algo… errado.”

Anton respirou fundo, ou tentou. Cada movimento puxava dor. Então sentiu.

O cheiro.

Familiar demais.

Não era o cheiro da floresta, nem da alcateia do irmão, nem dos renegados que conhecia tão bem. Era algo mais profundo, mais antigo, algo que fazia o instinto dele se eriçar por completo.

— Não… — murmurou, o coração acelerando. — Isso não é possível.

O silêncio foi quebrado por um som suave.

Passos.

Anton ergueu o rosto com esforço, os olhos tentando se acostumar à penumbra. Então viu.

Dois pontos de luz azulada se acenderam na escuridão.

O lobo dentro dele rosnou com força agora.

“Perigo.”

— Aparece — Anton rosnou de volta, forçando arrogância mesmo preso. — Sai da sombra, porra!

A luz aumentou, e então a criatura saiu da escuridão.

Anton sentiu o mundo girar.

Não era um lobo comum, nem um deles. Aquilo era maior, mais alto, o corpo ereto sobre duas pernas, músculos grotescamente definidos sob a pele escura. Os olhos azuis brilhavam com inteligência demais para ser apenas um monstro.

E quando o rosto ficou visível…

Anton sentiu o sangue gelar.

— Não… — sussurrou, incrédulo. — Isso… isso não pode estar certo.

Elariel rugiu dentro dele, selvagem.

“FUGIR. AGORA.”

A criatura sorriu.

Um sorriso lento.

Consciente.

— Ainda não — disse uma voz profunda, distorcida, que parecia ecoar dentro da cabeça de Anton mais do que no ambiente. — Você acabou de acordar.

Anton puxou as cordas com força agora, ignorando a dor.

— O que você quer comigo?

O monstro inclinou a cabeça, analisando-o como quem avalia uma presa interessante.

— Você sabe exatamente o que eu quero… — respondeu. — E logo ela vai saber também.

A palavra “ela” ecoou.

— Não se atreva — Anton rosnou. — Não a envolva nisso.

O sorriso da criatura se alargou.

— Já está envolvida há muito tempo, alfa.

***

“Preciso fugir.”

O coração de Liana deu um salto violento, ela levou a mão ao peito, sentindo o ritmo acelerar.

— Liana? — Dante franziu a testa. — Você ficou pálida.

— Eu… — ela engoliu em seco. — Eu achei que ouvi alguém me chamar.

Os olhos dele se estreitaram por um segundo.

— Aqui dentro? Só tem a gente e os funcionarios aqui.

Ela assentiu, confusa.

— Foi estranho… como se fosse… dentro da minha cabeça.

Dante ficou tenso.

— O que você ouviu?

Liana hesitou, não queria parecer louca.

— Nada importante — mentiu. — Deve ser cansaço.

***

Fogo.

O cheiro de fumaça.

Gritos.

Dante corria pela alcateia em chamas, o coração batendo descompassado, o lobo urrando dentro dele. Corpos no chão. Casas destruídas. Sangue.

— CELESTE! — ele gritou, desesperado.

Então viu.

Anton estava parado no centro da clareira, Celeste nos braços, seu vestido dela ensanguentado. A cabeça caída para o lado e a garganta aberta.

Dilacerada.

— NÃO… — o grito de Dante rasgou o ar.

Anton ergueu o olhar devagar, não havia arrependimento.

Só satisfação.

— O que você fez?! — Dante rugiu, avançando.

— Tirei de você o que você tirou de mim — Anton respondeu, a voz calma demais. — Agora estamos quites.

Dante não pensou só atacou, os dois colidiram com violência, garras, dentes, sangue. A luta foi brutal, descontrolada.

Até que…

— PAPI!

Kian estava ali, olhos arregalados, assustado. Dante virou-se instintivamente, o lobo recuando para protegê-lo.

Foi o suficiente. Anton recuou o olhar fixo no irmão, os dentes a mostra, ameaçador.

— Isso ainda não acabou — disse antes de desaparecer na escuridão.

***

Dante piscou.

Estava de volta ao restaurante.

Liana o encarava, o rosto sério, os olhos cheios de perguntas.

— Ele matou ela — Dante disse, a voz vazia. — Na minha frente, isso é tudo o que tenho para contar.

— Por que?

— Precisa de um motivo? — perguntou, na defensiva, tentando não ser rude. — Meu irmão é um monstro, Liana, é isso o que ele faz.

Mesmo com as palavras dele, ela sentia que algo estava errado… Que havia mais naquela história do que Dante queria contar.

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