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A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 51

Anton não sabia dizer há quanto tempo estava ali, porque naquele lugar o tempo parecia uma coisa inexistente. O corpo dele doía, cada músculo reclamando como se tivesse sido rasgado por dentro, e a garganta estava seca demais para engolir direito.

Ele tentou puxar o ar com força, mas o cheiro de umidade e sangue grudado nas paredes invadia os pulmões como veneno. Os braços estavam presos acima da cabeça, amarrados por algo que não parecia ser uma corda comum, era mais denso, mais pesado, como se fosse um material feito pra conter lobos. Tentou puxar, testar, mas o movimento fez uma dor aguda atravessar o ombro e ele rosnou baixo, mais por instinto do que por raiva.

Elariel se mexia dentro dele, não era o lobo arrogante e faminto que costumava rir de perigos. Era um animal exausto, com a respiração curta, a mente latejando de dor, mas estava alerta, mais alerta do que nunca.

“Se a gente não sair daqui agora… ele vai matar a gente.” , rosnou o lobo.

Anton fechou os olhos por um segundo, tentando organizar pensamentos, mas a dor e a raiva não o deixavam pensar com clareza.

“Eu sei.”, rosnou com desprezo, como se estivesse com raiva do óbvio.

“E se ele matar a gente, ele vai atrás dela. Ele quer a bruxa, quer marcar ela.” A palavra “marcar” bateu como um soco dentro da mente de Anton.

Não podia perder aquele jogo de novo, não podia deixar que outro marcasse o que o pertencia, não como antes.

Não como Dante fez.

Puxou o ar, sentindo o sangue seco repuxar no canto da boca, e forçou um sorriso torto, mesmo sozinho, mesmo no escuro, mesmo fodido. A raiva era a única coisa que ainda funcionava nele.

— Que ótimo — murmurou, a voz baixa, rouca, quase sem som. — Preciso sair daqui e eu juro que vou rasgar a garganta dessa coisa.

O lobo respondeu com um rosnado pesado, sério, e após um silêncio, Anton ouviu a voz dentro de sua cabeça:

“Não é um lobo. Não é como nós. Ele anda em duas patas, ele caça como… Esse tipo de coisa não deveria existir.”

Anton apertou os olhos, lembranças confusas voltando em flashes: o cheiro diferente, podre e doce ao mesmo tempo; os olhos azuis que tinham brilhado antes do desmaio; a sensação de ser observado como presa, não como rival.

— Eu vou ter que falar com Dante — A admissão veio amarga, quase indigesta. A ideia de precisar do irmão era humilhante, mas a imagem de Liana na cabeça dele, viva, respirando, com aquele olhar teimoso, esmagava o orgulho.

Elariel se moveu dentro dele, concordando com uma fúria sombria.

“Isso é maior do que Celeste.” A frase foi um golpe baixo, e Anton sentiu o corpo inteiro endurecer com ela.

Celeste era a ferida que nunca fechava, o sangue na memória do irmão. Anton rosnou, o som vibrando no peito, querendo negar até pra si mesmo.

“É maior que o nosso orgulho e do que a raiva que sentimos daquele ladrão…”

O lobo continuou insistindo, e Anton se remexeu de novo, irritado por saber que Elariel estava certo.

A saída da caverna era um retângulo mais claro no fim do corredor de pedra. Anton correu na direção dela como um animal ferido, tropeçando, batendo o ombro na parede, sentindo a pele rasgar mais, mas sem parar. Atrás dele, o rosnado virou um som mais alto, mais perto, mais… satisfeito, como se a coisa estivesse se divertindo com a fuga. E então veio a voz. Não pelos ouvidos. Pela cabeça. Uma voz grossa, profunda, cheia de uma calma doentia, como se tivesse certeza de que o final já estava escrito.

“Eu vou te encontrar.”

Anton sentiu o corpo inteiro travar por meio segundo, quase caindo de joelhos, porque era como se alguém tivesse enfiado garras dentro do cérebro dele e apertado. Elariel rosnou, tentando levantar uma barreira mental, tentando empurrar a presença para fora, mas era forte demais. A voz continuou, lenta, venenosa, como uma promessa saboreada.

“Vou arrancar sua garganta… e a do seu irmão.”

A saída estava mais perto, o vento frio da noite batia no rosto dele como um tapa, e ele se jogou para fora da caverna, caindo no chão. O mundo girou por um instante, estrelas borradas acima dele, o cheiro de floresta entrando nos pulmões como se fosse a primeira respiração em dias. Mas nem isso durou, porque a voz voltou, mais próxima, mais íntima, como se estivesse colada no ouvido por dentro.

“E quando vocês estiverem mortos… eu vou marcar a bruxa.”

O lobo sentiu o sangue gelar. Não pelo que aquilo significava pra ele, mas pelo que significava pra Liana. Pelo que significava pra Dante, pro menino, pra alcateia inteira. Mesmo sem querer, ele se importava, ainda se importava.

A voz riu dentro da cabeça dele, um riso sem alegria, só fome.

“E então eu vou ser o rei dos lobos.”

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