Liana viu no instante em que os olhos de Dante começaram a escurecer e o brilho vermelho apareceu por baixo do azul, lento, crescente. O maxilar dele travou, a veia do pescoço saltou, e a postura deixou de ser apenas irritada, os ombros ficaram tensos erguidos como se ele estivesse fazendo muita força para não partir para cima de Justin e matá-lo. Liana sentiu o próprio estômago afundar, porque ela conhecia aquela energia.
Aquilo era o alfa.
Aquilo era o lobo.
— Não é mais, achei que já tinha deixado isso claro no dia do shopping. Como você encontrou a gente aqui seu idiota? — Dante disse, baixo, tão controlado que dava medo.
— Eu também tenho meus contatos nessa merda de cidade, meu pai tem olhos por ai — Justin ergueu o queixo, como se falar do pai dele fosse sua carta na manga.
— Seu pai? Era de se esperar que um merda como você não fizesse nada sozinho mesmo — Dante respondeu suspirando — Seu pai vai lembrar de educar melhor o filho, e você vai aprender agora a nunca mais abrir essa boca imunda pra falar da minha mulher desse jeito.
Justin abriu a boca pra responder, mas Dante não deu tempo. Ele avançou de novo, e dessa vez o outro nem teve chance de se defender. O soco foi mais forte, mais brutal, e Justin caiu de joelhos no chão, ofegante, atordoado, tentando se apoiar com a mão no asfalto como se o corpo dele tivesse desligado por dentro.
Liana deu um passo rápido, o coração acelerado.
Ela sabia.
Sabia que Dante podia matar, e a pior parte era que ele queria.
Ele queria com uma facilidade assustadora, como se aquilo fosse normal pra ele, como se tirar a vida de alguém fosse tão simples quanto respirar. Ela viu o brilho vermelho nos olhos dele e sentiu um arrepio gelado subir pela espinha, porque naquele instante Dante não era o homem que preparava jantares românticos… era o lobo que arrancava gargantas.
Ela correu e agarrou o braço dele com as duas mãos, apertando com força.
— Dante! — ela chamou, ofegante. — Chega!
Ele nem olhou pra ela de primeira, o olhar dele tava fixo em Justin como se ele fosse um animal ferido… e os animais feridos eram os mais fáceis de matar.
— Ele te chamou de prostituta — Dante murmurou, a voz carregada de ódio contido. — Na minha frente.
Liana apertou mais o braço dele, sentindo o músculo duro sob a pele, a tensão vibrando como uma corda prestes a arrebentar.
— Eu ouvi! — respondeu, a voz firme apesar do tremor. — E odeio esse merda por isso, mas você vai matar ele! E eu não quero isso… não por mim!
Dante virou o rosto devagar pra encará-la, e, por um segundo, Liana sentiu que o mundo inteiro prendeu a respiração.
O vermelho nos olhos dele era tão vivo que parecia queimar por dentro da íris. O peito dele subia e descia pesado, como se ele estivesse lutando contra uma parte dele que não queria ser contida. Mas ela não recuou, não desviou, não abaixou a cabeça.
Dante piscou uma vez.
Duas.

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