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A cura do Alfa implacável romance Capítulo 22

[KADE]

Eu me senti como um garoto vendo seios pela primeira vez. A euforia que me fazia querer sorrir como um bobo, era toda graças à mulher na minha cama. Minha companheira. Ela não estava dormindo, isso eu podia dizer, e eu sabia que ela talvez não dormisse comigo no quarto, mas eu esperava que com o tempo ela relaxasse o suficiente para descansar.

— Agora a temos. É melhor você não estragar dessa vez e marca-la rápido. — Flint me advertiu. O vira-lata tinha se recusado a falar comigo por um tempo, ficando em silêncio em protesto por Sihana ter sido acasalada com Cahir, mas agora ele não parava de falar.

— Eu não vou. — prometi a mim mesmo e ao meu lobo.

Eu tinha decidido fazer de Sihana minha Luna. Droga, o pensamento me fazia querer uivar para a lua. O beijo da deusa não era hereditário, mas ninguém na minha linhagem o tinha. Seu bisavô tinha, então nossos filhos ou netos podem ter. Ela poderia trazer o beijo da deusa para minha linhagem e por isso, eu estava disposto a arriscar ter filhotes ômega com ela.

Meu membro endureceu, com o pensamento de acasalar com a ômega pequena na minha cama. Eu estava fingindo ler alguns documentos no meu sistema na escrivaninha à esquerda da minha cama, mas na realidade, eu estava passando as páginas sem ver nada. Olhando de soslaio para ela, a peguei olhando para o teto com uma expressão vazia no rosto.

Aquela expressão me preocupava. Eu já a tinha visto triste, feliz, cansada, mas nunca a tinha visto com uma expressão tão derrotada. Ela parecia submissa, quebrada até, e me preocupava não conseguir alcança-la nesse estado. Ela se afastava de mim toda vez que eu me aproximava dela. Eu sabia que a razão dela ainda estar aqui no meu quarto era por falta de motivação para fazer qualquer coisa, o que eu podia ver nos olhos dela.

— Aquele bastardo! — Meu lobo rosnou.

Cahir Armani era um dos piores homens do planeta. Um Alfa cruel e assassino que não se importava com nada nem ninguém, desde que conseguisse o que queria. Quando marcamos a reunião para negociar com ele para que não acasalasse com Sia, nenhum de nós esperava que ele a trouxesse junto. Lembrar disso fez com que eu cerrasse os punhos. Por que ele a machucaria assim? Ela está assim por causa dele!

— Sia? — a chamei, saindo da cadeira para me juntar a ela na cama. Ela se encolheu quando sentei na beirada da cama. — Eu gostaria de conversar com você. — disse em um tom civil, apesar da dor se acumulando no meu peito.

— Por que você... — Ela começou em um tom rouco antes de respirar fundo. — Por que você não me deixa em paz? — Ela se virou para mim com seus olhos mortos e meu coração doeu.

Se eu a tivesse aceitado desde o início, já teríamos um filhote agora e ela nunca teria que lidar com um homem como Cahir Armani. Eu deveria tê-la protegido desde o começo. Eu deveria ter visto que ela era um diamante bruto e a nutrido, não tê-la jogado fora como um pedaço de pano sujo. O eu de dezenove anos era estúpido e essa estupidez, era algo que eu iria me arrepender até o dia em que morresse.

— Eu quero me desculpar com você. — Eu afastei o cabelo dela da testa. Sua pele estava molhada, a testa úmida de suor, mas o quarto estava frio. Será que uma curandeira pode ficar doente?

— Kade, não importa o que você me diga, eu nunca vou te perdoar. — Eu arfei quando uma pontada aguda de dor perfurou meu coração. As palavras dela fizeram meu lobo choramingar e minha pele ficar apertada demais. — Você acha que eu sou uma pessoa tola, mas eu não sou. Sim, sua matilha me negou uma educação adequada, me forçando a trabalhar mesmo durante as horas escolares, mas eu não sou uma idiota. — ela sibilou. Eu ficaria feliz em ver sua expressão morta ganhar vida, se não fosse pela raiva substituindo seus olhos sem alma.

— Ninguém está te chamando de tola. — eu disse a ela. — Eu cometi alguns erros no passado e...

— Pisar em um inseto é um erro. Encher demais um copo é um erro. O que você e sua matilha fizeram comigo por vinte e um anos, não é um erro. — Ela se sentou na cama, jogando as cobertas para o lado. Por um segundo, eu senti que ela estava prestes a sair do quarto e eu sabia que não podia deixa-la fazer isso. Eu não podia deixa-la me abandonar.

— Dois dias atrás, você matou meu melhor amigo, tentou me agredir e jurou nunca me deixar sair dessa matilha. Você jurou me manter como escrava pelo resto da vida, mas agora você acha que cometeu um erro? — Ela me provocou, seus belos olhos de cervo me olhando como se eu fosse a maior merda que já existiu.

Para Sia, eu posso não ser muito, mas eu jurei a mim mesmo que faria qualquer coisa para garantir que ela entendesse o quanto ela significava para mim. Eu poderia tê-la perdido se meu lobo não soubesse melhor. Se Flint não tivesse segurado o vínculo de acasalamento, enquanto eu o rompia, eu poderia ter perdido uma pessoa tão preciosa quanto Sia.

— Eu fui estúpido e eu... — Ela não me deixou terminar antes de gritar.

— Seu comportamento estúpido de repente acabou, quando você descobriu que eu sou uma curandeira!? Você acha que eu usaria meu dom para ajudar as pessoas miseráveis da sua matilha que me machucaram repetidamente? — Ela exclamou, ofegante. — Você apenas desperdiçou seus recursos, Alfa Kade, porque eu preferiria morrer, do que curar qualquer membro dessa matilha.

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