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A cura do Alfa implacável romance Capítulo 23

— Asena cortou a conexão do meu lado, então nosso vínculo de companheiros está rompido, pelo menos na minha opinião. — eu dei de ombros diante das palavras de Kade.

Como esse bastardo ousa abrir a boca para me dizer que me ama? O mesmo homem que me intimidava durante o ensino médio, rindo enquanto seus antigos capangas rasgavam meus livros e me empurravam? Como esse homem, que só me causou dor e humilhação, ousa dizer qualquer coisa sobre me amar?

Ele se gabava de afastar os garotos de mim, chamando isso de “proteção”, quando, na realidade, ele o fazia por maldade para me manter sozinha. Quem ele pensa que é, para falar de amor quando tudo o que ele já fez em toda a minha vida, foi me mostrar o quanto ele me odiava?

Eu sentia apenas desprezo vindo de Kade e passei muitas noites na cama chorando por causa dele. Ele me fazia questionar o que havia de errado comigo, por que ele me odiava, por que eu era tão indesejável. Depois do meu pai, Kade era a próxima pessoa em Silver Moon que conseguia me fazer sentir como se eu fosse um desperdício de espaço, sempre que eu respirava.

— Sihana Asena, eu te prejudiquei por minha ingenuidade. Sim, eu não tenho desculpa para como agi todos esses anos e talvez, se você nunca tivesse tido uma segunda chance de companheiro, se eu nunca tivesse sido confrontado com o pensamento de te perder, eu nunca teria aceitado meus sentimentos. Mas não posso negá-los. — Ele segurou minha mão na dele. Eu tentei puxá-la, enojada com o gesto, mas ele segurou firme.

Eu sempre soube que Kade era um merdinha possessivo, porque mesmo quando criança, ele costumava intimidar as crianças que ousavam tocar em seus brinquedos. Sua possessividade não era nova, mas eu nunca pensei que isso afetaria minha vida de uma maneira tão grande. O pensamento de me “perder”, o fez aceitar seu amor inexistente por mim, quando eu nunca fui dele. Nosso vínculo de companheiros foi quebrado cinco minutos depois de descobrirmos, então nunca pertencemos verdadeiramente um ao outro.

Senti uma faísca de raiva se acender no meu peito e se espalhar por todo o meu corpo, me aquecendo por dentro. Eu estava sofrendo demais para que ele viesse até mim com tamanha bobagem. Minha loba uivava por Cahir e meu coração não batia certo. Kade era a última coisa que eu queria jogar na mistura do meu tumulto emocional.

— Deixe-me dizer a verdade, Kade Flint. — Eu mantive seu olhar sem piscar, mesmo que tenha exigido muita força de vontade para enfrentar o olhar de um Alfa, já que os olhos de um Alfa mostram sua força. — Se você não tivesse me rejeitado, eu teria te rejeitado. — Eu cuspi. Um nó no meu peito se afrouxou quando seus olhos se arregalaram de surpresa. — Eu não quero nada com você, nem como Alfa nem como companheiro. Por sua causa, eu sofri como ninguém deveria. Você me fez passar pelo inferno todos os dias e enquanto eu sofria, você ria. Você se deleitava com a minha dor e ainda acha que eu iria querer te dar o meu para sempre? — Eu senti algo salgado antes mesmo de perceber que lágrimas escorriam pelo meu rosto. — Você quer que eu acredite que você me ama, quando em toda a minha vida eu só senti ódio vindo de você? Kade, se você estivesse doente e morrendo e eu estivesse cheia de mana de cura, eu preferiria permitir que a mana me consumisse do que usá-la em você. — Ele inspirou profundamente, o que me fez sorrir. — Isso é o quanto eu te odeio, Kade Flint.

— Sia... — Lágrimas brilhavam em seus olhos, mas eu sentia que deviam ser falsas. Esse bastardo deve ter aprendido os truques do pai dele de fingir.

— Alfa Kade Flint, eu já disse antes e vou dizer novamente, eu, Ômega Sihana Asena, filha do seu Beta, aceito sua rejeição. Eu reconheço que nosso vínculo está quebrado agora e para sempre. — Ele se curvou, pressionando a palma da mão contra o peito, como se sentisse a dor de um vínculo rompido.

O que quer que ele sentisse, eu não me importava.

Saí do quarto dele com seus olhos lacrimejantes me seguindo. Ao chegar no buraco imundo que eu chamava de quarto, permiti que lágrimas frescas lavassem meu rosto. Meu quarto estava na mesma bagunça em que o deixei, ao tentar fugir depois que Kade roubou todas as minhas economias. Esse mesmo Kade agora veio me declarar amor.

Cahir...

— Eu sinto sua falta. — Eu soluçava no meu travesseiro velho — Você é um idiota que me abandonou, mas eu sinto sua falta e não sei por quê. Eu não quero sentir. — Eu funguei no quarto vazio.

Cahir me deixou para trás nessa matilha. Ele não queria se acasalar comigo e eu nem podia culpa-lo. Ele conseguiu um bom acordo com a matilha Silver Moon, em troca de não se acasalar comigo. Eu só me tornaria um obstáculo para ele, uma Luna que não poderia liderar ao seu lado. Mesmo sabendo disso, tentando me convencer de que estávamos melhores sem o outro, eu não conseguia parar as lágrimas que escorriam pelo meu rosto e encharcavam meu travesseiro. Eu não conseguia parar os uivos e gemidos de tristeza da minha loba e não conseguia impedir meu coração de desejar por ele.

Adormeci nas primeiras horas da manhã, com um travesseiro molhado e um peso esmagando meu coração. Na manhã seguinte, meu corpo me acordou ao raiar do dia, como sempre fazia. Eu dormi apenas duas horas, mas nunca dormi depois das cinco da manhã na minha vida, então, mesmo sem um alarme, eu estava acordada antes da maioria dos membros da matilha.

Lágrimas caíram dos meus olhos, alguns minutos depois de abri-los. Enxugando-as, levantei da cama e me recompus. Eu não esperaria Maria vir gritar comigo, eu tinha que me ocupar para tirar minha mente da minha recente desilusão amorosa.

Havia um guerreiro posicionado na minha porta quando saí. Ele ficou em posição de sentido quando me viu e depois me ofereceu um sorriso.

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