Capítulo 2
Isso foi o suficiente para ele, que respirou fundo, como se estivesse tomando uma decisão que normalmente evitaria. Pegou o copo, tomou o último gole de uísque e o deixou sobre o balcão.
- Tem um lugar perto daqui. Discreto. - Fez uma breve pausa, avaliando a reação dela. - Podemos continuar a noite lá... ou fingir que isso aqui não aconteceu.
Maitê olhou ao redor: a boate luxuosa, as pessoas que não a conheciam, o mundo ao qual ela nunca pertenceu. Depois voltou o olhar para ele.
- Fingir nunca foi meu forte - disse, pegando a bolsa.
Ele abriu um sorriso lento.
- Ótimo. Então venha comigo.
Um carro preto de luxo aguardava na entrada. O motorista abriu a porta ao vê-los.
Maitê hesitou por um segundo antes de entrar.
"Só essa noite", lembrou a si mesma.
Ele entrou logo depois. A cidade passava em luzes borradas pela janela.
- Ainda dá tempo de mudar de ideia - ele disse, sem pressionar.
Ela virou o rosto lentamente para ele. O observou com a pouca luz do interior do veículo.
- Você costuma dar essa opção para todas?
- Não costumo dar opção nenhuma.
Ela sorriu.
- Então talvez eu seja um caso raro.
Os olhos dele percorreram o rosto dela com atenção.
O carro parou diante do motel mais exclusivo da cidade. A fachada era discreta, a entrada reservada, não tinha placas chamativas. Ali, a privacidade era lei.
Ele saiu e estendeu a mão para ela, que aceitou em seguida. O toque foi breve, foi elétrico para ambos.
Dentro da suíte, viu a perfeição do local, iluminação indireta, lençóis impecáveis e um cheiro de perfume caro.
Assim que entraram e fecharam a porta, o silêncio se fez. Agora, só havia eles.
Ele tirou o paletó devagar, mantendo os olhos fixos nela.
- Ainda quer fingir que não sabe o que está fazendo? - perguntou, com a voz mais grave.
Maitê colocou a bolsa sobre a mesa e caminhou até ele com calma.
- Não. - Parou a poucos centímetros. - Mas também não gosto que decidam por mim.
Ela mesma desfez o nó da gravata dele. Com o toque dela, a respiração dele mudou.
Ele ergueu a mão e passou o dedo indicador na bochecha dela. Tocou levemente o queixo e olhando nos olhos dela encostou os lábios nos dela bem no momento que ela abria o terceiro botão da camisa dele.
O beijo dele foi tão bom e intenso que ela suspirou entre os lábios quentes e abriu mais a boca para receber a língua dele. Ele também suspirou excitado e segurou a nuca dela para aprofundar ainda mais o beijo.
A língua dele explorava a dela com urgência, e Maitê sentiu o corpo inteiro responder; o calor que subiu pelo ventre, os mamilos endurecendo contra o tecido do vestido.
Ela terminou de abrir os botões da camisa dele com dedos ligeiramente trêmulos, empurrou o tecido para os lados até expor o peito largo, a pele quente e a linha definida dos músculos másculos.



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