— O vice-presidente já aprovou tudo o que podia. Estes são os documentos urgentes que sobraram e os que ele não pode aprovar. — Justino colocou os papéis cuidadosamente na beirada da mesa, respondendo em voz baixa.
Tiago abriu o primeiro documento e o examinou rapidamente. Enquanto seus dedos deslizavam pelo papel, ele ordenou:
— Traga uma xícara de café e peça um almoço.
— Sim, senhor. — Justino assentiu e saiu apressado.
Fora do escritório, Justino primeiro pediu à secretária que encomendasse o almoço e depois foi pessoalmente à copa preparar o café para Tiago.
No escritório, o celular sobre a mesa começou a vibrar. Tiago pensou em ignorar, mas a pessoa do outro lado ligou uma segunda vez, insistentemente. Ele atendeu, ativou o viva-voz e deixou o aparelho de lado, sem interromper a leitura dos documentos.
A voz característica e zombeteira de Enrique soou pelo alto-falante:
— Diretor Nunes, de volta a Cidade Ouroval? Pensei que fosse se estabelecer na Suíça.
— Algum problema? — A voz de Tiago não tinha inflexão, e a velocidade com que virava as páginas não diminuiu.
— Claro que sim — riu Enrique. — Marquei uma partida de golfe à tarde. Que tal umas tacadas?
— Sem tempo. — Tiago foi sucinto e desligou o telefone na mesma hora.
Nesse momento, Justino entrou com o café:
— Diretor Nunes, seu café.
— Deixe aí. — Tiago não ergueu a cabeça, apontando para os documentos já revisados na beirada da mesa. — Leve estes daqui.
— Sim, senhor. — Justino se aproximou, pegou os papéis e saiu silenciosamente.
Tiago pegou o café e tomou um gole. O líquido quente desceu por sua garganta. Ele pousou a xícara e voltou a mergulhar na pilha de documentos.
Suíça.
Isabela tinha acabado de voltar de uma reunião com um cliente para finalizar um projeto. Pouco depois de chegar ao escritório, Luciano se aproximou:
— A reunião correu bem?
— Saia. Preciso descansar um pouco.
Percebendo que ela falava sério, Luciano sabiamente não insistiu e se retirou.
No instante em que fechou a porta, pensou consigo mesmo: "Ainda bem que não ousei dizer “é de você que sinto falta”, senão provavelmente seria expulso daqui na hora."
"Isso não pode ser apressado, tem que ser aos poucos."
Ao sair do escritório, Luciano foi até a área externa e perguntou a Emma, que organizava alguns documentos:
— O irmão da Isabela já foi embora?
Emma sabia que ele se referia a Óscar e respondeu honestamente:
— Foi ontem de manhã.
Luciano assentiu e, sem fazer mais perguntas, afastou-se da área de trabalho.

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