Ao saírem do elevador, Tiago falou de repente, com a voz vazia de emoção:
— É melhor você mesma ligar para a vovó e contar.
Isabela parou de supetão e virou-se para encará-lo, com frieza no olhar.
— Você perdeu a língua ou ficou mudo?
— Não vou fazer isso por você — disse Tiago, a expressão inalterada, a voz desprovida de qualquer sentimento.
Isabela não respondeu. Contar ou não contar era um assunto dele, que não lhe dizia respeito.
Ela foi direto para o carro, destravou as portas e sentou-se no banco do motorista. Emma, ao seu lado, apressou-se em entrar no lugar do passageiro.
Tiago aproximou-se rapidamente e bateu na janela do carro.
Isabela, no entanto, agiu como se não tivesse ouvido. Com um leve movimento dos dedos, liberou o freio, e o carro saiu da vaga.
Observando o veículo se afastar, Tiago virou-se para Paulo, que estava logo atrás, e ordenou:
— Dê um jeito de a notícia chegar à matriarca.
Apesar de confuso, Paulo anuiu respeitosamente:
— Sim, Diretor Nunes.
De volta ao carro, Tiago pegou o tablet, abriu um arquivo que sua secretária acabara de enviar e mergulhou na leitura, concentrado.
Ele não voltou para a empresa, foi direto para casa.
Assim que abriu a porta, uma empregada se adiantou e, com uma reverência, disse:
— Senhor, o almoço está servido.
Tiago entregou-lhe o casaco que vestia e, sem dizer nada, dirigiu-se à sala de jantar.
Após lavar as mãos, estava prestes a se sentar para comer quando uma voz zombeteira soou.
Peter entrou com passos leves e um sorriso divertido no rosto.
— Tiago, por que saiu com tanta pressa? Tive que vir atrás de você.
Tiago franziu a testa e o encarou, o tom de voz gélido.
— O que você está fazendo aqui?
— É um carma do qual ele não pode escapar. Deixe que se vire.
— A senhora não vai dar uma ajudinha? — Dona Luzia pareceu surpresa. A matriarca sempre gostara de Isabela, por que ficaria de braços cruzados?
— Não vou — disse avó Nunes, balançando a mão com um sorriso e um tom de falsa severidade. — Na pior das hipóteses, ele que fique solteiro para o resto da vida.
Após uma pausa, ela suavizou a voz e acrescentou:
— Não perturbar Isabela já é a maior prova do meu afeto por ela.
Dona Luzia assentiu repetidamente.
Avó Nunes virou-se para o mordomo e instruiu:
— Não precisa mais investigar. Deixe as coisas como estão, para não cairmos na armadilha dele.
— A senhora é mesmo brilhante! Sempre um passo à frente dele! — Dona Luzia não conseguiu conter o riso.
Avó Nunes também sorriu, com um olhar de quem tudo sabe. Afinal, fora ela quem o criara. Como não conheceria suas artimanhas?
...

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