Depois de terminar suas tarefas, Amado deixou seu Passat no trabalho e entrou no Cayenne de Rita.
Foram direto para um restaurante exclusivo. Assim que entraram, o gerente reconheceu Rita imediatamente e a cumprimentou com familiaridade.
— Srta. Barreto, seja bem-vinda.
Seu olhar então pousou em Amado, que usava um blazer elegante e tinha uma presença imponente.
Ao notar o distintivo ainda preso em seu peito, embora não conseguisse identificar o cargo, pôde deduzir que não era uma pessoa comum.
O gerente sorriu e perguntou:
— E este senhor é?
Antes que Rita pudesse responder, Amado deu um passo à frente e disse com naturalidade:
— Olá, sou o namorado da Rita.
Ao ouvir isso, Rita ergueu os olhos, um sorriso divertido no rosto, mas com um toque de repreensão, como se dissesse: “Quando foi que eu concordei ou admiti isso?”
Amado encontrou seu olhar e ergueu as sobrancelhas, fingindo-se de desentendido.
— Eu disse algo errado?
O gerente, percebendo a situação, interveio com um sorriso.
— Que belo casal!
Rita desviou o olhar e disse ao gerente:
— Obrigada. Pode ser a sala de sempre?
O gerente concordou prontamente e pediu a um garçom que os guiasse.
No meio do caminho, Rita baixou a voz e se inclinou para o homem ao seu lado.
— Tio Nunes, quando foi que eu concordei em ser sua namorada? Não estávamos apenas nos conhecendo?
— Sim, fui precipitado — Amado disse com uma expressão séria, mas com um toque de malícia. — Quer que eu volte lá e explique a situação para ele?
Ele parecia pronto para dar meia-volta no mesmo instante se ela concordasse.
— Bem astuto você. Como é que ainda está solteiro? — Rita se aproximou dele, a voz baixa e brincalhona. — Você não tem algum problema de saúde oculto, tem?
Ao ouvir a palavra “tio”, Amado franziu a testa novamente.
— Não sou tão velho assim. Só sou oito anos mais velho que você.
Ele puxou a cadeira em frente a ela e se sentou. Rita assentiu, fingindo seriedade.
— Não é muito, realmente. Quando você estava na segunda série, eu estava nascendo. Quando você estava no mestrado, eu estava me formando no ensino fundamental.
Amado observou sua língua afiada e sentiu uma pontada de alegria. Estar com alguém assim era tudo, menos entediante.
— Certo, pode me chamar como quiser. Eu me rendo.
Rita foi além.
— Se eu te chamar de tio, você fica na mesma geração que meu pai. No final, é você quem sai ganhando.
Amado tomou um gole do chá à sua frente, um sorriso contido nos olhos.
— Eu não me atreveria a tirar vantagem do seu pai.

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