Após o jantar, Rica pendurou-se em Tiago feito um chiclete.
Ele estava sentado à escrivaninha respondendo e-mails, com a garotinha encolhida em seu colo. Seu pequeno dedo apontava para a tela do computador, enquanto murmurava com voz infantil:
— Trabalhar... com o papai.
Tiago baixou o olhar para a bolinha deitada em suas pernas. Sua voz tornou-se extremamente doce:
— Você quer trabalhar junto com o papai?
Rica acenou vigorosamente com a cabeça. A vozinha doce disse:
— Trabalhar.
Ele se inclinou, depositando um beijo leve em sua testa macia. O sorriso refletia em seus olhos:
— Quer mesmo fazer companhia para o papai?
— Quero.
Rica agarrou a borda de sua camisa e assentiu enfaticamente.
Uma risada baixa escapou da garganta de Tiago e ele aceitou de imediato:
— Está bem.
Ao lado, Isabela, que trabalhava em seus desenhos no computador, levantou os olhos ao ouvir a conversa. Olhou para o pai e a filha: um adorava mimar, a outra adorava ser mimada. Seus lábios se curvaram em um sorriso e ela simplesmente os deixou em paz.
Quando o trabalho de Tiago estava quase no fim, Isabela entrou em silêncio no escritório. Retirou a grudada Rica de cima dele e a pegou nos braços, planejando dar banho nela.
Ao passar pelo quarto de hóspedes, empurrou a porta de leve para dar uma olhada em Seven. O menino já havia tomado banho e estava sentado quieto à escrivaninha, lendo um livro.
Rica estava deitada no peito de Isabela, com a cabecinha roçando na curva do pescoço dela, e murmurou suavemente:
— Dormir com o irmão.
Isabela se abaixou para beijar sua bochecha, consolando com ternura:
— O seu irmão precisa dormir cedo. Se a Rica não dormir, vai atrapalhar o descanso dele.
Rica murmurou um "uhum", parecendo ter entendido, embora não muito. Inclinou a cabeça de lado e continuou a resmungar, embolando as palavras:
— Então... o papai lê hitória.
Isabela ouviu aquela pronúncia errada e adorável, não contendo o riso. Bateu de leve na pontinha do nariz dela com o dedo.
Vinte minutos depois, Rica já estava vestida com um pijaminha branco de duas peças, de mangas curtas. Com o cabelo seco e macio, suas perninhas curtas corriam novamente em direção ao escritório.
Ao erguer o olhar e ver aquela figura pequenina parecendo uma boneca, o sorriso nos lábios de Tiago brotou naturalmente.
Rica ergueu o rosto e disse com a voz infantil:
Imediatamente Rica franziu suas sobrancelhas e, fazendo bico, puxou a manga da camisa de Tiago e exclamou injustiçada:
— Papai!
Tiago baixou o olhar para o risco de tinta na mãozinha. Esfregando suavemente com a ponta dos dedos, ele a consolou:
— Não foi nada, sai tudo quando a gente for lavar.
Isabela tomou seu banho e foi direto para o quarto de Seven. Ouviu-o tagarelar sobre coisas divertidas que haviam acontecido na escola. Papo vai, papo vem, e ela acabou encostada na cabeceira da cama, adormecendo ao lado dele.
Tiago colocou Rica para dormir na cama. Com passos silenciosos, foi até a porta do quarto de Seven, entrou e curvou-se para levantar Isabela nos braços.
Entre o sono e a vigília, Isabela sentiu o cheiro familiar de cedro. A voz estava um pouco rouca, de quem acaba de acordar:
— A Rica dormiu?
— Sim, dormiu profundamente.
Tiago abaixou a cabeça e deu um selinho suave nos lábios dela. O hálito quente acariciou o canto da sua boca.
Ele continuou caminhando com ela nos braços, mas não em direção ao quarto principal, e sim ao quarto de hóspedes.
Isabela olhou de relance para o quarto e brincou, meio rindo:
— Que foi? Não quer mais saber da sua filha?

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