— Não pode comer doce. A mamãe vai ficar zangada e não vai nos deixar dormir com ela à noite.
— Comer — resmungou a menina com teimosia, franzindo as pequenas sobrancelhas e balançando a cabeça negativamente.
— Seja boazinha, daqui a pouco você toma leitinho — Tiago acariciou os cabelos macios dela.
— Procurar a... Bisa — exclamou Rica claramente, com os olhos brilhando após tombar a cabeça de lado pensativa.
A avó Nunes a mimava muito e com certeza lhe daria doces.
— Assim que o irmão terminar de jogar golfe, a gente vai lá encontrar a Bisa — riu Tiago, abaixando a cabeça para beijar a testa dela.
— A Bisa também não tem doces. Se você continuar comendo tanto doce, os bichinhos vão entrar nos seus dentinhos e comê-los todos — repreendeu Isabela ao lado, observando as travessuras de pai e filha com uma expressão de impotência.
— Não tem... bicho! — Rica imedidatamente fez um biquinho e inflou as bochechas para protestar.
— É verdade, a nossa Rica é uma boa menina e escova os dentes direitinho todos os dias. Não tem nenhum bichinho nos dentes dela — defendeu-a Tiago de forma carinhosa, apertando levemente as bochechas dela.
Isabela observou Seven seguindo o treinador e dando tacadas com seriedade. O corpinho pequeno estava de pé, com a postura reta, realizando movimentos precisos e ágeis. Ela não pôde deixar de suspirar suavemente: — Meu garotinho... Cresceu num piscar de olhos.
Rica, por outro lado, se remexeu nos braços de Tiago, escorregou até o chão e correu saltitante até Seven. Erguendo o rostinho, ela gritou com entusiasmo: — Irmão~
E completou com sua vozinha doce: — Fui ver... o irmãozinho.
— O irmãozinho é fofo? — perguntou ele suavemente, baixando o olhar para ela após guardar o taco.
— Muito pequenininho — respondeu ela seriamente, tombando a cabecinha pensativa.
Na casa da família, Amado, sua esposa e o filho também já haviam chegado.
Assim que Rica avistou An'an, chamou de forma doce: — Irmão.
— Toma, é o seu favorito — disse ele baixinho, olhando para ela e oferecendo-lhe um pedaço de chocolate branco.
An'an e Seven também eram incrivelmente carinhosos com ela. Mesmo que de vez em quando fizesse suas travessuras e bagunças, os dois nunca a repreendiam, apenas a enchiam de mimos e proteções.
Antes que o jantar fosse servido, Rica caminhou até Tiago, esfregando os olhinhos sonolentos e resmungando com doçura: — Papai, tô com soninho~
— Já está com sono? Vai dormir direto sem comer? — perguntou ele suavemente, esticando os braços para pegá-la no colo.
Rica não respondeu de jeito nenhum. Suas pálpebras pesaram e logo se fecharam, e sua cabecinha se aninhou ainda mais contra o peito caloroso do pai. Em pouco tempo, ronquinhos suaves e regulares começaram a ser ouvidos.
Ela acabou dormindo por mais de uma hora. Quando acordou ainda meio sonolenta e não viu Tiago por perto, sentou-se no sofá e desatou a chorar copiosamente.
— Por que está chorando logo depois de acordar? Já está parecendo um gatinho borrado — Isabela aproximou-se apressada, olhando para a figura em prantos da filha, sentindo-se impotente, mas com o coração apertado de dó.
Ainda soluçando, mas não se esquecendo de responder, Rica murmurou entre o pranto: — O papai...
— O papai está no escritório conversando com o tio. Assim que terminarem, ele desce para ficar com a Rica — disse Isabela suavemente, puxando um lenço de papel macio para limpar com cuidado as lágrimas e o narizinho da menina.

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