— Ah! — A ponta da faca acertou o seu ombro e Sophia soltou um grito agonizante. O sangue instantaneamente encharcou a sua roupa.
— Sophia!
Quando Arthur voltou a si, ele avançou para imobilizar a mulher armada, mas ela, completamente fora de si, agitou a faca e deixou um corte ensanguentado no braço dele.
O coração de Beatriz estremeceu.
O homem enfrentou o perigo para subjugar a mulher histérica, que continuava encarando Sophia e berrando: — Sua vadia! Eu vou te matar, eu vou te matar! Devolve o meu bebê!
Os seguranças logo entraram e detiveram a mulher.
Sophia, aninhada nos braços de Arthur, estava com os olhos vermelhos e as lágrimas não paravam de cair: — Arthur, eu é que sou a sua namorada! E você me ignora?!
Ela não conseguia acreditar que, num momento de perigo, Arthur escolheria salvar Beatriz.
— Eu ainda estou grávida! Você não me quer mais, nem ao nosso filho?
A garota chorava copiosamente, com uma mão cobrindo o ferimento ensanguentado.
Beatriz contraiu levemente os lábios, ainda se recuperando do susto. Vendo a garota chorar daquele jeito, Beatriz não sabia o que dizer.
Ela tampouco entendia por que Arthur decidira salvá-la; logicamente, salvar Sophia seria mais instintivo, além de ser ela quem ele mais amava.
— Sophia. — O homem foi extremamente gentil e paciente, segurando a garota contra o peito: — A situação foi rápida demais, vocês estavam muito perto uma da outra e eu puxei a pessoa errada...
Essa suavidade, essa culpa e remorso, Beatriz nunca tinha visto nele.
— Como eu não salvaria você? — Arthur olhava para a garota em seus braços com dor no coração: — Deixe o médico ver o machucado primeiro, sim?
O coração de Beatriz apertou dolorosamente. Sim, por que ele a salvaria? Foi só sorte dela, que no meio do caos foi puxada e protegida por engano.
Aquele instante de proteção só acontecera porque ele a confundira com outra.
Arthur nunca se importara com a vida ou a morte dela...
A ternura do homem fez a garota chorar ainda mais: — Eu achei que você não quisesse mais saber de mim e do nosso bebê, buááá...
Ela soluçava sem parar, chorando e batendo no peito de Arthur ao mesmo tempo.
E o homem simplesmente deixava que Sophia descontasse a sua raiva batendo e xingando-o.

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