Beatriz desviou o olhar e disse secamente: — Para esse tipo de coisa, você deveria ir atrás da pessoa que a esfaqueou para arrumar briga. Eu também sou uma vítima.
— Em relação à Dra. Lemos, farei o meu dever como médica e cuidarei do seu quadro clínico.
— Você...
Arthur estava prestes a falar algo.
Mas Sophia interrompeu-o de maneira "compreensiva", fingindo-se de forte, com os olhos vermelhos: — Arthur, não pegue no pé da Beatriz. Ela também deve ter se assustado muito, não é? Se você não a tivesse confundido comigo, quem estaria ferida agora seria a Beatriz.
Beatriz parou e lançou um olhar para Sophia.
Ela parecia estar defendendo Beatriz, mas, de forma invisível, estava jogando-a na fogueira.
Ela não estava insinuando que Beatriz havia levado vantagem e que era ela quem deveria estar ferida?
Isso fazia a atitude profissional de Beatriz parecer uma ingratidão sem coração.
Arthur confortou a garota: — Ela não é como você, ver você ferida dói no meu coração.
A atitude do homem fez os lábios de Beatriz perderem a cor. Não queria ficar ouvindo as demonstrações de afeto deles.
Virou-se, saiu do quarto e voltou para o seu escritório.
Ela não imaginava que, pouco depois de se sentar, Arthur entraria atrás dela.
Sentada no seu lugar, Beatriz levantou os olhos, encarando-o com indiferença: — Deseja algo?
Em um momento como aquele, em vez de ficar no quarto cuidando da namoradinha, o que ele veio fazer ali?
O homem simplesmente arrastou uma cadeira e sentou-se na frente de Beatriz. Estendeu o braço na direção dela e ordenou: — Faça o curativo.
Beatriz olhou para aquilo e soltou uma risada repentina: — Eu achei que o Sr. Diniz não sentisse dor.
Ele só parecia se preocupar em cuidar da sua queridinha.
— Eu me machuquei para salvar a sua vida.
— Você errou de pessoa ao tentar salvar — disse Beatriz, com um olhar apático. — Senão, seria eu deitada naquela cama de hospital.
Arthur respondeu: — Eu só olho para os resultados.

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