Julia continuou conversando com Isadora por um longo tempo e depois acompanhou a visita até a saída.
Quando voltou à sala, Lucas já tinha descido e conversava com Dona Helena.
Clarice sorria, encostada ao lado de Dona Helena, dizendo alguma coisa.
— Julia, a Isadora já foi?
Julia assentiu. Dona Helena percebeu o cansaço no rosto dela.
— Julia, você deve estar exausta, sempre trabalhando muito. Faz tempo que não visita a sua mãe, certo? Por que não descansa um pouco e vai vê-la?
Julia apertou a mão ao redor do copo e olhou para baixo.
— Tenho estado ocupada.
— Mesmo ocupada, você tem que voltar para casa.
Julia não disse nada.
As lembranças vieram à tona.
Tudo estava muito nítido.
Só de pensar, ela sofria.
E havia também o tapa no rosto, e toda a surpresa, decepção e injustiça que vieram com ele.
Mesmo após as sessões de terapia com hipnose, aquelas memórias permaneceram.
Aquele quarto pequeno, os gritos e choros; era como se algo a puxasse para o fundo.
Julia pegou a água quente e deu um gole.
Ela respirou fundo, não querendo mostrar nenhuma fraqueza.
— Julia, por que não diz nada?

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