O tom de Julia também não tinha diferença nenhuma de quando estava no trabalho.
— Você disse que não ia se divorciar, apenas para proteger a reputação da sua carreira, sem querer atrair fofocas.
Os longos cílios de Julia tremeram levemente, e as emoções que se agitavam em seus olhos foram rapidamente reprimidas, voltando a uma total tranquilidade.
Aquelas agitações que não deveriam existir e nem surgir deviam ser sufocadas na raiz.
— Espero que você mantenha distância. Se não conseguir, nós podemos nos separar.
Se a pessoa tiver muitas rotas de fuga, vai cultivar covardia, ilusão, ganância e medo.
Julia não queria ser assim.
Por isso, era melhor não deixar nenhuma rota de fuga.
Lucas prendeu nela o olhar pesado, e as emoções em seus olhos eram difíceis de decifrar.
Ele se inclinou um pouco para a frente, abraçou a cintura fina dela com naturalidade, e os dois ficaram tão perto que suas respirações se misturaram.
— Julia, por que você está brava?
Julia tentou estender a mão para afastá-lo por instinto, mas como as roupas do homem estavam abertas, ela não teve onde apoiar. Presa em um dilema, sentiu as bochechas esquentarem, misturando raiva e vergonha.
Mas aquela expressão de constrangimento, vista por Lucas, não causou nenhuma sensação de resistência; pelo contrário, foi como as garras de Cacau, arranhando levemente seu peito, deixando-o quente e acendendo um fogo em seu peito.
Como alguém podia ficar brava parecendo estar fazendo manha?
— O que foi, com medo de ficar perto de mim e não conseguir se controlar?
Ele riu baixo, e sua respiração roçou a orelha dela.
— Então, por mais velha que fique, por mais fria e intocável, a fada Professora Julia também não escapa do desejo.
— Sinto muito, mas você não faz mais o meu tipo há muito tempo.
Julia falou quase num reflexo condicionado.


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