— Onde você está? Eu vou te buscar.
— Não precisa, tem gente querendo que você a busque mais do que eu.
Julia lançou um olhar para Clarice e para o rosto espantado do Sr. Mendes, e falou arrastado.
— Eu tenho o que fazer, vou desligar.
— Sr. Mendes, sua expressão não parece muito boa, engoliu mosca?
Julia riu levemente, com os olhos como geada.
— Eu sempre fui uma pessoa colaborativa. Alugar este seu espaço não é uma obrigação para mim. Vim aqui hoje apenas para te dizer que, a partir de hoje, a nossa revista nunca mais trabalhará com o seu estúdio de fotografia.
— E tem mais, Sr. Mendes: ser esnobe é uma doença e é melhor tratar cedo.
Depois de falar, Julia deu uma olhada cheia de significado para Clarice.
— Senhorita Clarice, se as pessoas não desmascaram você, não é por medo. É porque acham que ficar batendo boca por bobagem rebaixa o nível delas.
— Use seus truquezinhos nas suas tarefas, será melhor. A história dela... Heh, eu também estou curiosa, que história vai sair nessa entrevista?
O rosto de Clarice ficou pálido e vermelho, e ela cravou as unhas nas palmas das mãos com força.
Naquele dia em que Lucas foi levá-la e foi visto pelo pessoal da revista, ela apenas se aproveitou da situação, pois sabia que ele nunca ligaria para detalhes tão pequenos.
Quem diria que Julia tomaria a iniciativa de expor esse assunto.
Não há segredos no círculo que não sejam descobertos.
Ela cerrou os punhos com força.
— Julia, você é realmente muito articulada.
Julia a olhou com uma expressão estranha.
— Senhorita Clarice, então você também é uma flor de jasmim bem branquinha.
— Guarde esse seu vitimismo.
— Nem todos têm tempo para brincar com você, e eu realmente não tenho tempo para isso.
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