Mas, olhando para os olhos de Julia agora, ele sentiu uma dor inexplicável no peito.
Ela estava culpando a si mesma.
Esse pensamento foi como uma agulha furando um balão, fazendo Lucas perder a vontade na hora.
O pomo de adão dele subiu e desceu.
— Julia...
— Lucas, eu não quero ouvir. Vá embora.
As palavras chegaram à boca de Julia, mas ela acabou não dizendo.
Ela fechou os olhos, não querendo causar uma cena.
— Eu vou secar meu cabelo.
— Julia, eu estava apenas...
Lucas pensou um pouco e, quando ia se explicar, o telefone de repente tocou.
Ele abaixou a cabeça e viu que era Dona Helena.
Dona Helena raramente ligava para ele. Lucas atendeu e o tom de Dona Helena no telefone era ansioso.
— Lucas, a Clarice foi no shopping e, quando saiu, foi bloqueada na porta pelo jovem herdeiro dos Xavier. Ela estava chorando quando me ligou agora há pouco, vá rápido ver como ela está.
— Eu te digo, a Clarice é minha filha. Se alguma coisa acontecer com ela por causa das suas confusões, eu não te perdôo!
O rosto de Lucas escureceu.
— Eu já sei.
Ele desligou o telefone, virou-se e pegou o paletó em cima da cama para sair.
Julia viu tudo e pegou o secador de cabelo do chão. Pelo espelho do banheiro, ela podia ver os movimentos de Lucas com clareza.
Lucas não estava muito perto dela, nem tentava pressioná-la, então ela ouviu mais ou menos o que tinha acontecido.
Apenas os assuntos de Clarice fariam Dona Helena ligar.
Ela ia ligar o secador de cabelo quando um par de mãos parou seus movimentos.
Ela se virou e Lucas, já vestido, entrou.
O homem olhou para ela com um olhar misterioso.
— Julia, quer ir comigo?
Julia ficou pasma e ergueu os olhos para ele.
Ela queria colocar a mão na testa de Lucas para ver se ele estava com febre.


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