Clarice também ficou pasma.
Ela analisou bem os traços da menininha no colo de Lucas. A garota tinha lindos olhos amendoados; mesmo pequena, dava para notar que seria uma beldade.
Lucas também tinha os mesmos olhos. O formato dos rostos deles, de fato, se assemelhava!
Clarice fechou os punhos silenciosamente, lembrando-se das palavras com as quais provocou Julia mais cedo.
A idade batia certinho.
Fazia sentido.
Lucas tinha uma personalidade fria.
Ele nunca foi de demonstrar afeto proativamente, era a primeira vez que se mostrava tão íntimo de uma criança.
Clarice sentiu o gosto de sangue na boca.
Ela escondeu suas verdadeiras emoções e disse rindo: — Nossa, Julia, por que essa garotinha está te chamando de mãe? Será que você teve uma filha escondida do Lucas?
Dona Helena se recuperou do choque e encarou Julia.
— Julia, essa criança...
— Que animação é essa!
Letícia entrou no quarto e se aproximou de Julia, apertando silenciosamente a mão trêmula da amiga.
Ver Julia aparentando normalidade, embora seu corpo estivesse totalmente enrijecido, causou uma pontada no peito de Letícia.
— Clarinha, como o "mamãe postiça" saiu tão fácil da sua boca? Viu só, você fez o tio ao seu lado e esta senhora entenderem errado.
Ela andou até lá, pegou Clarinha de forma natural e apertou a bochecha dela.
— Sua molequinha, quem mandou você sair correndo? Você quase matou a sua madrinha de susto.

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