Quando a mão cheia de ossos cobriu minha cintura, logo a segurei com a minha, bloqueando de novo um novo avanço de Norberto.
O homem fechou a cara, as sobrancelhas já mostravam traços de leve fúria. Mas eu não sei de onde tirei coragem; não fugi do olhar dele, então nossas duas visões se cruzaram no ar, como duas lâminas medindo forças invisivelmente sem que nenhum dos dois cedesse.
Até que o toque urgente do celular tocou, era a ligação de Norberto.
Ele me olhou irritado, me empurrou de uma vez e só então pegou o celular.
— Como está a situação agora? — A voz do homem ficou extremamente séria de repente. — Certo, não fique nervosa, nós vamos para aí agora mesmo.
Meu olho direito não parava de piscar sem parar, um presságio ruim que me deixou apavorada. Olhei para Norberto surpresa e ele virou o rosto para mim, dizendo com calma: — Troque de roupa, vamos para o Residencial Geriátrico Vista Verde.
Senti as pernas amolecerem. Fiquei igual a um balão murcho e perguntei apavorada: — O que aconteceu com o meu pai?
Norberto me deu uma olhada e falou: — Caiu da cama, o médico está cuidando disso.
Meia hora depois, eu e Norberto aparecemos no quarto do residencial geriátrico. Vi na mesma hora que a perna direita do meu pai, deitado na cama, estava com gesso e erguida. O rosto dele não tinha um pingo de cor.
Andei rápido para frente, nem consegui falar nada e logo ouvi o esculacho da Sra. Márcia Monteiro: — Como você só chega a essa hora? Te ligo no celular e não atende, você pelo menos sabe o quão nervosa eu estava?
— Como está a situação agora?
Quem perguntou foi Norberto.

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