Esse chamado de Noemia me pegou meio desprevenida. Ouvindo assim logo de cara, parecia a forma carinhosa de um marido chamar a esposa, mas só eu sabia que por trás desse carinho, na verdade, tinha um teste do Norberto.
Afinal de contas, dar um upgrade no serviço significava que a Família Cavalcante teria que gastar mais dinheiro com o meu pai. O dito "dever favores" era real, eu e Norberto estávamos a pouco mais de um mês de nos divorciarmos. Como ele ajudaria a Família Monteiro de graça?
Norberto estava barganhando comigo, na pior das hipóteses jogando o problema nas minhas costas e me fazendo tomar a decisão.
Olhando meu pai com a perna quebrada na cama, reparando no seu rosto que envelhecia a cada dia, meu peito doeu muito, como se alguém estivesse apertando ele sem parar. Fiquei destroçada.
Eu sabia que, com o upgrade no serviço, o meu pai ficaria muito mais confortável do que agora. Além disso, no primeiro dia em que ele veio para cá, o responsável já tinha deixado bem claro que, no estado dele, cada ano que aguentasse já era lucro, que não se sabia em qual dia ele simplesmente não resistiria mais.
As unhas afundaram na palma da mão. Meu coração parecia rasgado em dois: metade doendo de compaixão pelo meu pai na cama, e a outra metade pela minha pequena e firme dignidade.
O que eu ia fazer? Como eu iria escolher?
Vendo que não demonstrei reação na hora, a Sra. Márcia, ainda chorando, me chamou a atenção rápido: — Noemia, o Norberto está te perguntando, mostre a sua posição.
Olhei para ela e depois olhei mais uma vez para o meu pai na cama. Meu nariz ardeu, e a lágrima ficou girando no canto do olho. Em seguida ouvi a Sra. Márcia dizer, muito comovida: — Sr. Monteiro sempre sofreu. Deixa estar, vou ficar aqui e cuidar dele. Se o pior acontecer com o Sr. Monteiro, eu vou com ele, eu acompanho ele...
Eu sabia, a Sra. Márcia estava me pressionando.
Olhei mais uma vez para Norberto, de lado, assistindo friamente a tudo isso. Respirei fundo e disse, de modo honesto: — Os custos do upgrade do serviço eu posso te passar uma promissória.
Assim que acabei de falar, Norberto de repente deu um passo à frente, segurou minha mão, a acariciou de leve e falou parecendo querer me consolar: — A Noemia dizer isso me trata como alguém de fora. O seu pai é o meu pai, que promissória que nada.

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