— Quer tomar uma bebida quente?
Ouvindo a sugestão de Gabriel, assenti: — Eu pago.
Na cafeteria fora do refeitório, Gabriel e eu nos sentamos frente a frente. O vapor quente rodopiava entre nós dois, envolvendo tudo em um calor reconfortante.
Quando meus dedos tocaram a caneca, lentamente recuperei alguma sensibilidade na mão rígida. Ao notar que o olhar à minha frente não parava de me encarar, ergui levemente os cílios, encontrando a visão de Gabriel no ar.
— O que foi?
— A Dra. Monteiro não tem nada para me dizer?
Meu coração deu um salto. Lembrei-me da conversa há pouco com a Sra. Márcia e minhas cordas do coração se apertaram involuntariamente.
Eu não tinha certeza do quanto Gabriel havia ouvido.
Afinal, com o acordo pré-nupcial, eu ainda precisava manter em segredo as relações confidenciais.
— O que o Dr. Neves quer perguntar? — Evitei o foco principal. — Minha mãe... disse alguma coisa a você?
Gabriel assentiu, tomou um gole de café e disse meio brincando: — Contou um segredo.
Um gole de café parou na minha garganta. Olhei espantada para Gabriel e, por um momento, não consegui responder.
Embora a Sra. Márcia parecesse esperta, às vezes ela falava demais. Além disso, quando estávamos lá embaixo, ela mencionou repetidamente a Família Cavalcante. Com a inteligência de Gabriel, era provável que ele já tivesse adivinhado que a relação entre a Família Monteiro e a Família Cavalcante não era comum.
Se fosse o caso, o segredo do meu casamento oculto com Norberto não poderia mais ser escondido?
Ao pensar nisso, apertei a alça da caneca, e a minha respiração pesou um pouco.
— Você deveria ter me contado — a voz suave de Gabriel caiu nos meus ouvidos. Com um tom sincero, ele disse: — Mas este assunto não é sem solução.

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