Só então percebi que falei demais.
Se fosse uma notícia comum, eu ainda poderia inventar uma desculpa, afinal o acordo pré-nupcial estava ali. Mas um assunto tão confidencial como a disputa por terras entre as Famílias Cavalcante e Ramos não era algo que se descobre por boatos. Por um momento, não soube como explicar.
Gabriel pareceu notar minha dificuldade e, com um tom de desculpa, disse: — Olha para mim, perguntando o que não devo. Falei demais.
Era melhor se ele não tivesse dito nada. Ao falar isso, minha culpa aumentou ainda mais. Hesitei por dois segundos e respondi: — Desculpe, Dr. Neves, estou em uma situação complicada.
— Eu entendo — Gabriel assumiu um ar despreocupado e me confortou: — Sei que você é uma pessoa honesta, e tenho certeza de que a verdade vai sair prevalecendo no final.
Após falar, estendeu a mão direita na minha direção, pronto para um toque de mãos.
Olhei para a mão dele suspensa no ar e depois para o rosto sincero de Gabriel. Senti como se uma fogueira de esperança tivesse acendido dentro de mim. Estendi lentamente a mão e bati na dele.
Depois de me separar de Gabriel, voltei para o apartamento. Porém, assim que entrei, vi a Sra. Márcia sentada na sala de estar.
Nossos olhares se cruzaram. No segundo seguinte, a Sra. Márcia se levantou e perguntou ansiosa: — E aí, conversou tanto tempo com o Dr. Neves. Ele conseguiu pensar em um plano ou não?
Ouvindo o tom impositivo da Sra. Márcia, não pude deixar de franzir a testa. Em seguida, a ouvi insistir: — Fale logo, o Dr. Neves tem ou não a capacidade?

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