Da noite para o dia, o ar frio varreu toda Porto Real, e a temperatura caiu para onze graus negativos. Quando cheguei ao Hospital Memorial embrulhada em uma jaqueta grossa, o céu estava cinzento e chuviscava.
Estava frio e sombrio.
Ao entrar no departamento, ouvi Júlia e outros colegas discutindo onde iriam comer hot pot. Assim que me viram, me convidaram na hora.
— Ouvi dizer que a Dra. Monteiro até recebeu elogios do Dr. Valente ontem, então ela deveria nos pagar uma boa refeição.
Não esperava que a notícia se espalhasse tão rápido. Meu olhar passou pelo quadro de avisos e percebi que a advertência colada ontem havia desaparecido.
— Vocês não viram, mas quando o Dr. Valente elogiou a nossa Noemia, foi um orgulho para a anestesiologia — Júlia parecia orgulhosa. — O Acadêmico Arthur e a Dra. Elisa estavam lá na hora.
Eu estava prestes a responder quando fui interrompida pela voz severa da enfermeira-chefe: — Já terminaram o trabalho? Têm tempo livre para fofocar logo cedo?
A enfermeira-chefe tinha certa autoridade na anestesiologia. Com apenas uma frase, todos se dispersaram.
Por algum motivo, vi um ar de preocupação estampado no rosto dela.
— Com esse clima, a água congela num instante — ela olhava para a névoa lá fora, com uma pitada de preocupação nos olhos. — Costuma ser a época mais movimentada do hospital.
Eu não entendi: — Mais movimentada?
— Nessa época do ano, os acidentes são maiores do que nas outras estações — a enfermeira-chefe me olhou seriamente e disse: — Vários imprevistos causados pelo clima.
Fiquei surpresa com a sensibilidade profissional dela e imediatamente aumentei minha vigilância.
Mas o que não esperávamos era que, quinze minutos depois, o desafio chegasse.
— Venham rápido para a emergência, sete ou oito feridos de um acidente de carro estão chegando.
Descemos as escadas em peso. Ao olhar para cima, em meio à névoa e à chuva, feridos cobertos de sangue e cheios de machucados eram retirados das macas.

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