Terminei de falar e desviei o olhar. Pelo canto do olho, vi a expressão ressentida de Antonella.
Deixa para lá. Afinal, a pessoa ao lado dela sempre tinha um jeito de consolá-la.
No entanto, no segundo seguinte, escutei um barulho repentino. Olhei na direção do som e vi um bando de repórteres carregando equipamentos de entrevista se aglomerando, murmurando palavras como "motorista culpado".
Tive um pressentimento horrível naquele instante.
A voz cheia de fôlego de um dos repórteres chegou aos meus ouvidos: — Eu garanto que o motorista culpado foi trazido para o Hospital Memorial. Ele deve estar no meio desses pacientes! Pessoal, procurem rápido!
A maca balançou de repente. Abaixei a cabeça para continuar trabalhando e vi uma carteira de motorista manchada de sangue escorregar do bolso do ferido, com as palavras "Licença de Transporte de Carga" escritas.
Senti um aperto forte no peito num piscar de olhos, mas vi a mão de Gabriel se aproximar e enfiar o documento de volta.
Nossos olhares se cruzaram. Olhei para Gabriel com medo, o meu coração batia tão acelerado que quase saía pela garganta.
Eu sabia que nossa suspeita era a mesma.
O homem que estávamos salvando agora mesmo provavelmente era o culpado que causou o engavetamento desta manhã.
Rezei silenciosamente para que os repórteres não percebessem, mas as mãos que seguravam os equipamentos tremeram involuntariamente.
— Olhem rápido, aquele não parece o motorista do caminhão?!
Ouvi um aviso. Senti os músculos da garganta do homem se contraírem de repente. A saturação de oxigênio no monitor despencou para oitenta e dois por cento. Nesse ritmo, o paciente corria risco de vida.
— Sim, é ele! — outra voz concordou. — Esse homem é um criminoso! Não merece ser salvo!
Uma garrafa de água me atingiu na cintura sem aviso prévio, e minhas mãos também tremeram. Olhando para as cortinas de proteção balançando, meu coração ficou aos pulos de tensão.
— O que vamos fazer? — olhei tensa para Gabriel. — Isso...

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