— Noemia Monteiro!
A voz de Norberto Cavalcante parecia já estar perdendo o controle. O ambiente de alta pressão dos últimos dias também tinha esgotado a minha paciência. Respirei fundo e resmunguei descontente: — O que o Dr. Cavalcante está querendo discutir exatamente? Você sempre repete que somos marido e mulher, mas sabe o que de fato significa ser um casal?
Norberto Cavalcante ficou calado de repente, e eu precisava desabafar: — Um casal não é só um acordo legal. Deveria ser a forma mais nobre de amor: uma parceria de crescimento mútuo e, acima de tudo, uma aliança para enfrentar a solidão e o sofrimento juntos. E você? Sendo o meu marido, em que momento se enquadrou nos padrões de um marido, além de me culpar e humilhar depois do incidente?
Duas linhas de lágrimas rolaram devagar pelo meu rosto, com a minha voz um tanto embargada: — Você só usa a nossa certidão de casamento como uma cadeia para me dominar e controlar. Mas eu sou um ser humano, Norberto Cavalcante. Por mais que eu goste de você, eu tenho dignidade. Se você vai sempre usar essa certidão de casamento para me pressionar, por que não a trocamos por um certificado de divórcio e resolvemos a situação tanto para você quanto para mim?
Encerrei a ligação depois de dizer isso.
Talvez antes disso eu esperasse que Norberto Cavalcante assumisse um pouco o papel de "marido" para me ajudar, mas hoje as esperanças morreram.
A realidade me dizia que depositar expectativas na pessoa errada só traria humilhação.
Lutar sozinha não era tão ruim assim.
Cansada de chorar, eu me enfiei debaixo das cobertas e por milagre peguei no sono.
Até que sons de batidas ressoaram nos meus ouvidos.
Esfreguei os olhos sonolentos e olhei para o telefone. Já eram cinco e meia da manhã.
Haviam ligações perdidas e mensagens não lidas na tela.
Todas de Gabriel Neves.

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