A Sra. Márcia, sem entender muito o que acontecia, respondeu normalmente a Antonella: — É sim. Graças ao Dr. Cavalcante, nós finalmente saímos da UTI.
— Ah, entendi. Então, Norberto, você veio trazer comida para a Dra. Monteiro? — O sorriso no rosto da garota estava prestes a despencar; dava para perceber o esforço em seu tom de voz. — Só que parece que o Dr. Neves chegou primeiro. A Dra. Monteiro e a tia parecem estar quase terminando de comer...
— Não. — Norberto de repente quebrou o silêncio.
Atrás dos óculos de aro prateado, seus olhos escuros ainda turbilhavam de emoções, mas seu tom de voz já havia se tornado suave. Ele baixou os olhos para Antonella ao seu lado: — Não vim trazer comida para outras pessoas, vim trazer para você.
— O quê? — Duas vozes perguntaram ao mesmo tempo no ar.
O sorriso congelou no rosto da Sra. Márcia e logo se transferiu para Antonella.
Antonella transbordava descrença e alegria: — É sério? Mas isso deve ter dado tanto trabalho a você, Norberto.
Meu coração, que estava agitado momentos antes, despencou até o fundo e se estilhaçou. Um vento gelado soprou, levando todo o calor que ainda restava dentro de mim.
Eu não devia ter criado ilusões. Como eu ainda conseguia me iludir?
Eu sorri, rindo de mim mesma. O apetite que a comida de Gabriel tinha despertado sumiu na hora.
Eu devia saber desde o início. Como Norberto viria me trazer comida? E como ele poderia se importar com a minha família? Nós estávamos prestes a nos divorciar; como eu poderia alimentar expectativas tão irreais de que ele ainda pudesse voltar, me dar um olhar e me aquecer de novo?
Quando o nosso relacionamento estava mais intenso, no primeiro ano depois de casarmos, ele nunca me levou comida. Agora que tínhamos chegado àquele ponto, como ele poderia me aquecer de novo?

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