Naquele instante, vi o rosto de Norberto escurecer imediatamente.
E ouvi a sua voz sombria:
— Noemia?
Além do seu olhar ameaçador enquanto ele olhava para mim. Havia zombaria no fundo dos seus olhos escuros, assim como um questionamento silencioso.
Na verdade, sem precisar que ele falasse, Antonella já havia perguntado o que ele queria saber:
— O Dr. Neves a chama de Noemia? Que apelido íntimo. Me perdoe a fofoca, mas será que o Dr. Neves já está com a Noemia?
Ela era mesmo fofoqueira. Seus olhos amendoados brilhavam de excitação. Aquele olhar de curiosidade passeava ansiosamente entre mim e Gabriel, aguardando desesperadamente por uma resposta.
Me sentei ao lado de Gabriel, franzindo a testa levemente. E quando eu estava prestes a responder: "Claro que..."
— Estou. — Gabriel interrompeu as minhas palavras de repente, pegando o copo d'água para me servir e respondendo de modo aparentemente casual.
Fiquei chocada na mesma hora. Gabriel e eu éramos apenas amigos. E por mais que o Tio Otávio e a Sra. Márcia quisessem nos juntar, nós dois nunca havíamos tocado naquele assunto. Como poderíamos estar juntos?
A expressão de Norberto, que estava na minha frente, ficava cada vez mais sombria. Os seus olhos negros e aguçados começaram a brilhar intensamente, encarando o meu rosto. O brilho ficava cada vez mais forte, até parecer que ia queimar um buraco no meu rosto.
— É verdade? — Os olhos de Antonella se iluminaram ainda mais, carregando um tom de emoção e alegria.
— Claro que sim, não estamos juntos agora mesmo? — Gabriel colocou o copo d'água perto da minha mão e, levantando o olhar, comentou de forma descontraída: — Juntos, de estarmos sentados um do lado do outro.
A luz brilhante nos olhos de Norberto esfriou na hora, mas o olhar dele continuou fixo no meu rosto. Ele apenas não abriu mais a boca para falar.

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