De fato, assim que Antonella calou a boca, eu vi o rosto de Norberto escurecer.
Mas, exatamente naquela hora, Gabriel riu e começou a dizer:
— Bom, o cego, não é...
O copo de chá foi abaixado na mesa por Norberto, emitindo um pequeno barulho. Os seus lábios tensos viraram uma linha reta. Os dedos da sua mão sobre a mesa fecharam-se em punho, tão forte que as articulações ficaram brancas.
— Dr. Neves. — Interrompi, chamando a sua atenção, a tempo de impedi-lo de terminar de falar. — Você não disse que queria comer Costelinhas Agridoce Gourmet? Vou pedir para colocarem no pedido.
Norberto e Gabriel eram amigos e colegas de primário de muitos anos, e agora eram até colegas de trabalho. Eu realmente não queria arruinar a relação entre eles por minha causa, e nem queria que Gabriel fizesse raiva a Norberto. Afinal, Antonella ainda estava ali.
Gabriel retirou o olhar imediatamente, e o seu sorriso habitual reapareceu.
— A Noemia é sempre tão atenciosa, eu quase tinha esquecido.
— Sim, sim, temos que pedir isso. Quero provar depois para ver se as Costelinhas Agridoce Gourmet daqui conseguem superar a arte da Noemia. — E Antonella apenas concordou, sem parecer notar nada de mais.
Depois de adicionar o pedido, ergui os olhos apenas para encontrar aquele olhar frio e penetrante. Os olhos de Norberto ficaram vermelhos. Ele estava com raiva de novo.
Parecia que era de mim.
Mas raiva do quê, exatamente?
Foi Gabriel que o criticou, não eu. E fui eu mesma quem impediu Gabriel de falar, para evitar que eles brigassem e para afastar as suspeitas da sua queridinha Antonella. De certa forma, eu o tinha ajudado, então por que ele parecia zangado?
Entendi. Ele me culpou por não dever ter trazido Gabriel. Aquilo prejudicava os seus doces encantos com a queridinha.
Mas Gabriel não veio por minha causa.
Tanto faz. Eu nem quis explicar nada. Estava com a minha consciência limpa.

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