Ela era a verdadeira rainha das fofocas e se animava ainda mais quando o assunto era eu. Eu estava tranquila, mas ao ouvir aquilo, meu rosto esquentou de forma involuntária. Expliquei com a voz um pouco afobada:
— Nós somos só amigos...
— Uhum, só amigos. — Júlia imitou o meu tom de propósito. O riso contido nos seus olhos ficou ainda mais nítido, e ela me deu um leve toque de ombro. — Então como você explica a história do cachecol?
Eu havia tirado o cachecol antes de entrar no banheiro na noite passada e pedido para Gabriel guardar. No fim, fui encurralada por Norberto no banheiro e, quando saí, Gabriel já tinha ido embora resolver uma emergência, levando o cachecol junto.
Hoje, ele apenas veio devolvê-lo, mas não imaginei que Júlia e a enfermeira-chefe interpretariam tudo errado.
Eu estava prestes a explicar, mas a risada da Dra. Elisa soou atrás de mim:
— Tudo bem, Dr. Cavalcante. Então o nosso evento de integração está fechado. Vamos para a Estância Águas de Cristal neste fim de semana.
Dr. Cavalcante?
Meu coração disparou. Virei a cabeça imediatamente e me deparei com um par de olhos escuros.
Norberto estava parado logo atrás de mim, lado a lado com a Dra. Elisa. Ele concordou com uma expressão indiferente:
— Pode ser.
No entanto, aqueles olhos sombrios estavam fixos no meu rosto. Por baixo da aparente calma, uma raiva silenciosa ia crescendo, e toda essa fúria se refletia no seu olhar, me atingindo no fundo da alma.
De repente, eu entrei em pânico. Enquanto tentava me justificar para Júlia e a enfermeirachefe, a minha voz saiu trêmula:
— Não, não é nada disso. Eu só esqueci o cachecol com ele ontem, e ele veio me entregar. Nós não temos nada.
Por um instante, eu não sabia se estava dando aquela explicação para Júlia e a enfermeira-chefe, ou se era para Norberto.

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