Gabriel tinha razão, eu precisava ser melhor comigo mesma.
Eu tinha que comer direito, cuidar da saúde e manter um bom humor. Tinha que ser feliz. Não devia sofrer nem sentir tanta dor por causa de Norberto.
No entanto, dei apenas duas mordidas na panqueca de ovo antes de o estômago revirar. Larguei tudo e corri para o banheiro, vomitando sem parar.
Mas não saiu nada.
No meu estômago, além dos dois pedaços de panqueca que enfiei à força, só havia o remédio que ainda não tinha sido digerido. O gosto era amargo e ácido.
Enquanto eu forçava o vômito, as lágrimas surgiram. Fechei os olhos, deixando que escorressem pelas minhas bochechas.
Norberto, você estava mesmo acostumado a me maltratar.
Será que fui eu que sempre aceitei tudo, fazendo com que você perdesse todo o limite e pisasse sem piedade no meu coração e na minha dignidade?
Mas isso acabou.
Não vai acontecer nunca mais.
Vou me separar de você para sempre. De agora em diante, você não terá o menor impacto sobre mim.
Quando saí da cabine e fui lavar as mãos na pia, deparei-me com uma figura conhecida.
Camila empurrou a porta da cabine ao lado da minha. A área das pias estava vazia para nós duas, mas ela fez questão de se espremer do meu lado, esticando o braço para usar a mesma torneira que eu.
Eu não queria nenhum tipo de contato físico com ela. Franzi a testa, recuei as mãos rapidamente e lancei a ela um olhar de total desagrado.
A atitude de Camila era uma clara provocação.
Porém, o olhar de Camila não mostrava nenhuma inimizade. Pelo contrário, ela esbanjava preocupação:
— Dra. Monteiro, eu ouvi você vomitando. Parecia muito ruim. O que aconteceu? Será que tem alguma novidade na sua vida?

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