Foi então que, pela janela, vi uma silhueta familiar. Ou melhor, duas.
O homem era alto e ereto; o casaco preto de estilo inglês o deixava ainda mais alinhado. Ele tinha uma postura fria e distante, o que chamava ainda mais atenção no pátio de estilo chinês. Mas o que chamava mais atenção era a silhueta graciosa de rosa ao lado dele. A garota vestia um conjunto Chanel, usava uma bolsa felpuda, e segurava o braço dele. Com metade do corpo apoiado nele, ela o olhava de baixo para cima enquanto falava algo.
Os traços dela eram como uma pintura, e seu sorriso era charmoso.
Eram Norberto e Antonella.
O sol de inverno estava perfeito, cobrindo os dois com uma luz suave, como se fossem protagonistas de uma novela, românticos e bonitos.
Fiquei olhando sem reação, me sentindo como se estivesse assistindo a um belo filme de romance.
Mas o protagonista desse filme de romance era o homem de quem eu ainda não havia me divorciado legalmente.
Era bem irônico.
Talvez sentindo meu olhar, Norberto se virou na minha direção. Seu rosto bonito ficou ainda mais rígido; as lentes dos óculos de armação prateada esconderam a expressão nos olhos dele.
Meu corpo tremeu de leve e, por instinto, quis desviar o olhar.
Mas, no mesmo instante, Antonella, que olhava para Norberto sorrindo e conversando, acompanhou o olhar dele e me viu. O sorriso doce congelou, e ela pareceu em pânico por um momento.
A reação da garota me pegou de surpresa. A capacidade dela de se adaptar sempre foi boa. Mesmo não se dando bem comigo, ela fingia muito bem na minha frente. Sem falar que marcamos um jantar de desculpas anteontem. Embora eu tenha ido embora antes da comida chegar, no fim das contas, a gente tinha feito as pazes. Por que ela estava tão apavorada ao me ver?
Eu ainda estava confusa quando vi Norberto apertar os lábios e de repente caminhar em passos largos na minha direção. Antonella, de braços dados com ele, também foi puxada.
Parecia que o Norberto estava vindo para cá.

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