A reação de Gabriel superou minhas expectativas.
A pergunta de Norberto foi muito agressiva. Eu achava que o Gabriel fosse ficar tão em pânico quanto eu, ou que tentaria explicar para ele que nós só viemos comer como amigos, que não era um encontro.
Mas não esperei que Gabriel não fosse explicar nada. Além de não negar a suspeita, ele ainda devolveu a pergunta: — E o Norberto tem alguma objeção a isso?
Mesmo que o dia de inverno estivesse ensolarado, ainda ventava lá fora. Aquele vento gelado entrou pela porta aberta da sala; eu tinha vestido o casaco, mas ainda sentia frio.
Nesse ar frio, pude sentir claramente uma atmosfera tensa.
A figura alta de Gabriel me protegeu, enfrentando Norberto em silêncio. Ele deixou de lado a sua postura gentil e simples, assumindo agora uma atitude muito mais agressiva e cortante.
O rosto de Norberto ficou péssimo. De perto, consegui ver nitidamente os olhos bem desenhados por trás das lentes prateadas. Em seus olhos escuros, dava para ver uma raiva contida, prestes a explodir.
O clima ficou pesado na hora, como se qualquer coisa pudesse detonar uma briga.
Foi Antonella quem se antecipou a dizer: — Não, como a gente teria alguma objeção? A Noemia e o Dr. Neves formam um belo casal; a gente também fica feliz em vê-la com ele. O Norberto está feliz por vocês.
Ao dizer isso, puxou a manga de Norberto: — Não é mesmo, Norberto?
Sua voz continuava doce, mas tremia um pouco devido à preocupação e ao nervosismo.
Isso me fez lembrar da voz que ouvi pelo telefone um tempo atrás.
Naquela vez, a voz de Antonella também tremeu da mesma forma quando disse: "Norberto, vai com calma, está doendo..."

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