Nesse instante, Antonella acordou e soltou rápido o braço de Norberto. O rosto corou e ela acenou negando com as mãos: — Não, não, o Norberto não está comigo. Nós... só viemos procurar a luva que esqueci aqui na outra noite. A gente não, não é...
Eram muitas coisas engraçadas no dia de hoje.
Foi só um almoço entre amigos, mas o Norberto achou que fosse um encontro amoroso.
Gabriel, que era apenas um amigo, segurou minha mão e fingiu ser meu namorado; mas os dois ali, os amantes de verdade que já tinham dormido juntos incontáveis vezes, tentavam a todo custo negar o envolvimento deles.
Eu não conseguia entender. Antonella e Norberto já tinham chegado tão longe, por que ainda não admitiam a relação dos dois?
— Antonella. — Norberto falou, a interrompendo com voz grave, e passou o olhar pela minha mão que estava junto à do Gabriel: — Vamos embora.
Ah, claro, eu que estava imaginando coisas demais.
O fato de Antonella ter medo de assumir não significava que Norberto faria o mesmo.
Antonella podia ter optado por esconder por causa da reputação e influência dele; mas Norberto sempre amou de forma aberta e honesta.
Por ela, ele abriu mão dos seus próprios interesses a meu favor, apenas para que ela não se sentisse injustiçada; como não iria admitir o relacionamento deles?
Uma dor forte apertou o meu peito de repente. Era uma dor insuportável, que se espalhou por todo o meu corpo, me deixando sem controle e quase sem sentir nada.
Respirei fundo e engoli o nó na garganta que subia: — É, você tem razão. Como o Dr. Cavalcante e a Dra. Lima foram tão bondosos conosco, também devíamos desejar tudo de bom para eles.
Norberto parou no meio da ação de se virar e olhou de volta para mim e o Gabriel.
Entrelacei meus dedos aos do Gabriel, sorri e encarei aqueles olhos escuros: — Desejo ao Dr. Cavalcante e à Dra. Lima muito amor, e que fiquem unidos para sempre.

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