Em tantos anos de casados, as refeições que tiveram juntos não foram poucas. Sempre que havia camarão na mesa, ela nem tocava.
Ele nunca prestou atenção.
O tal de "você gosta de comer" que ele disse devia ser algo que Helena gostava, com certeza.
A senhora deu uma bronca em Arthur ali mesmo, mandando que se importasse mais com a esposa, e não ficasse focado apenas na empresa e nos assuntos de fora o dia inteiro.
Arthur concordou com tudo pacientemente.
Na metade da refeição, a senhora soltou os pauzinhos, e sua expressão ficou um pouco mais séria.
— No último passeio de primavera, eu já vi, vocês dois juntos parecem de bem, mas no fundo estão distantes. Não se dedicam nem um pouco. — A senhora suspirou, e voltou a olhar para Beatriz: — Falta pouco tempo para o aniversário de três anos da morte do seu avô.
Os dedos de Beatriz apertaram os pauzinhos com força na mesma hora.
O avô era a pessoa que ela mais respeitava na vida. Há três anos que partiu, e ela sempre o guardou no coração.
Desde que reconheceu os pais biológicos e os familiares, a família Souza sempre foi ótima para ela.
Quando a família Nogueira a deixava de lado e a colocava para baixo, foram os Souzas que lhe deram um refúgio.
Pelas regras, o aniversário de três anos deveria ser mais oficial. A cerimônia era complexa, e havia muitas coisas para se organizar.
— Já estou preparando as coisas devagar. — ela falou com a voz baixa.
A senhora concordou com a cabeça: — Que bom.
— Esse assunto é complicado, você não vai conseguir dar conta correndo para lá e para cá sozinha.
Ela olhou para Arthur, com um tom de quem entregava uma missão: — Arthur, quando chegar a hora, acompanhe a Beatriz, ajude nas tarefas, corra atrás do que precisar.
— Você conhece muita gente, para certas coisas é mais fácil você aparecer.
O coração de Beatriz afundou.
Da última vez, no dia do aniversário de morte do avô, Arthur usou o trabalho na empresa como desculpa e faltou a tudo. Logo depois, ela descobriu que ele tinha saído com Helena.
Nesta vida, ela não esperava mais nada dele e não queria se meter com ele de forma alguma.
Ela tomou a frente e falou com voz calma e firme: — Não precisa, avó. Eu dou conta de resolver tudo sozinha.
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O jantar acabou.
Beatriz não queria continuar fingindo na frente da avó e menos ainda voltar com Arthur, então arrumou uma desculpa, dizendo que ainda tinha trabalho para fazer na empresa e que faria hora extra.
— Hora extra para quê? — A senhora olhou para Arthur na mesma hora: — É a sua empresa sugando as pessoas, deixando a Beatriz exausta desse jeito?

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