A luz do corredor estava acesa, mas o tom quente não deixava a casa aconchegante.
O olhar de Beatriz varreu a sapateira por instinto.
Na sapateira, além dos seus sapatos e os da babá, havia um par de sapatilhas femininas que não pertencia ao lugar.
Um modelo delicado e com cores vivas.
As luzes da sala estavam acesas, mas não havia ninguém, estava tudo muito silencioso.
Apenas na direção do quarto principal vinha o som da água caindo no chuveiro.
Beatriz franziu as sobrancelhas com força.
Ela andou com passos leves até o quarto.
Parou na porta e empurrou devagar.
No segundo seguinte.
Uma figura familiar saiu do banheiro, usando o seu pijama de seda favorito.
Da cor bege claro, macio, um presente que ela mesma se deu no aniversário, e que tinha pena de usar no dia a dia.
E agora, quem estava usando o pijama dela era Helena.
A irmã dela.
Helena também não esperava que Beatriz fosse voltar de repente e parou de andar.
Olhando para Beatriz, ela não ficou nem um pouco assustada. Com um sorriso suave no rosto, ela disse: — Irmã, você voltou? Arthur disse que você não voltaria hoje, achei que fosse dormir na casa da Tia Matilde.
Beatriz continuou onde estava: — E quando foi que eu disse que não ia voltar?
Arthur tinha trazido Helena para a casa deles na cara dura, para o quarto deles, e até deixou Helena usar o pijama e o banheiro dela.
Eles nem tinham se divorciado e já não podiam esperar para entrar na casa, tratando ela, a esposa legítima, como nada.
Helena deu de ombros, sem se importar com nada.
— Não entenda mal. Eu tomei chuva, e como a minha casa fica longe daqui, fiquei com medo de pegar um resfriado e tomar remédios que afetassem o bebê. Então vim tomar um banho e trocar de roupa. Você não se importa, não é, irmã?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa que "Morreu": O Despertar da Obsessão