Clarice não sabia quando havia acordado. Naquele momento, ela estava parada na porta do quarto do hospital, com o rosto tão pálido quanto um fantasma, parecendo que mal conseguia se manter em pé.
Pela expressão dela, era óbvio que tinha escutado tudo o que Jorge acabara de dizer.
Dona Lima, preocupada, apressou-se para ampará-la, mas ao mesmo tempo não queria acreditar que ela realmente tivesse feito aquelas coisas. "O que Jorge acabou de dizer é mentira, não é? Deve haver algum mal-entendido aqui, Clarice, explique logo, não deixe que Jorge pense mal de você!"
"Eu…" O rosto de Clarice estava sem cor, as palmas das mãos suadas e geladas.
Ela pensava que o caso do envenenamento já havia passado! Nereu não tinha preparado tudo? Jorge não havia seguido o plano deles e encontrado o bode expiatório escolhido por eles?
Por que ele ainda estava investigando?
E como ele descobriu…?
A cabeça de Clarice girava, estava completamente atordoada.
O casal Lima conhecia muito bem a filha. Vendo a reação de Clarice, o Sr. Lima sentiu um aperto no coração.
"Clarice! Não me diga que você realmente…"
"Jorge! Foi o Nereu que me obrigou! Eu não queria fazer isso!" As lágrimas começaram a escorrer dos olhos de Clarice, que olhava para Jorge assustada.
Jorge já sabia de tudo, ela não tinha mais como negar e só podia tentar se defender.
"Eu te amo tanto, como poderia ficar com o Nereu? Foi ele quem armou tudo—"
Neste ponto, Clarice falava a verdade. O início dela com Nereu realmente fora uma armadilha dele.
Ela havia dormido com Nereu sem entender direito o que estava acontecendo, depois foi chantageada por ele e, com medo de Jorge descobrir, não teve escolha a não ser continuar aquele relacionamento.

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