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A Filha da Alcateia (Aysel) romance Capítulo 369

A voz de Luna Zara cortou o ar como vidro quebrando.

— Eu sempre soube que Riley estava usando magia negra para amplificar o cheiro do lobo. Vi os sinais por semanas: a instabilidade, as explosões de temperamento. Ela está brincando com fogo.

Zara enfiou a mão no bolso do casaco e tirou uma seringa prateada e elegante. O líquido no interior girava lentamente, com um brilho azul opaco.

— Por isso eu carregava um supressor de lobo. Eu sabia que o dia chegaria em que ela perderia o controle.

O Alfa Alaric observava a cena com uma expressão impossível de ler. Então, soltando um suspiro, acenou com a mão de forma displicente.

— E daí se ela é um lobo branco? Está sem um rim. O lobo dela sempre será mais fraco que os outros, metade do que poderia ser. Mal viva. Pendurada por um fio.

Não havia admiração em sua voz. Nem medo. Nem mesmo decepção.

Apenas nojo.

— Levem-na daqui — ordenou. — Joguem-na fora. Ela precisa se acalmar e acordar das ilusões em que está vivendo.

— Alfa, por favor — implorou Mia. — Ela está inconsciente. O supressor vai impedir o lobo de curar o trauma. Se ela sangrar no frio...

— Ela causo isto a si mesma. — rosnou Alaric. — Que prove das consequências. Talvez da próxima vez pense duas vezes antes de usar truques para fingir a força que não tem.

Zara e Kael não disseram nada. Simplesmente se ajoelharam ao lado de Scarlett, afastando com cuidado os cabelos dourados dela e murmurando palavras suaves, como se não ouvissem as súplicas atrás de si.

Dois guardas se aproximaram, pegaram o corpo inerte de Riley e a carregaram até a porta.

O vento frio uivou pelo corredor quando os portões da propriedade se abriram. Poucos minutos depois, o som do corpo dela caindo no caminho de pedra molhado ecoou até a entrada como um trovão distante.

A chuva cortava enquanto Riley cambaleava para fora da propriedade da Matilha Ebonclaw. As pernas mal a sustentavam, o corpo queimava em febre, e o sangue ainda escorria do corte na parte de trás da cabeça, onde o golpe de Luna Zara havia atingido.

Os portões da propriedade se erguiam atrás dela, imponentes e frios. Ninguém a seguiu. Ninguém chamou seu nome.

Ela havia sido descartada.

Ao chegar à borda da propriedade, passos apressados romperam o barulho da chuva e a tiraram de seu torpor.

— Senhorita Riley!

Mia surgiu, encharcada até os ossos, os cabelos brancos grudados no rosto enrugado. Corria pela tempestade como um fantasma de esperança. Tinha esperado lá fora o tempo todo, no frio e na chuva, porque nunca desistia de Riley.

Ao vê-la, as lágrimas de Riley finalmente rompeu a barreira.

— Mia... me desculpe... É tudo culpa minha... Eu te arrastei para isso...

Mas Mia não desperdiçou tempo com repreensões ou pena. Correu até ela e a amparou antes que seus joelhos cedessem de vez.

— Sua tola — murmurou, a voz rouca. — Você acha que me importo com as consequências quando minha garota está sangrando na chuva?

Ela se abaixou, o corpo frágil tremendo.

— Suba. Nas minhas costas. Eu vou te levar a um curandeiro. Agora.

Riley tentou recusar, Mia era velha demais, magra demais, mas, antes que pudesse protestar, a governanta já estava ajoelhada na lama, se oferecendo como um escudo contra a tempestade.

A chuva e as lágrimas se misturavam no rosto de Riley quando ela se inclinou para frente e envolveu os braços no pescoço de Mia, aceitando o único calor que lhe restava.

A velha governanta se levantou devagar, cada passo uma batalha, cada centímetro conquistado uma guerra contra o tempo e a idade.

A chuva castigava de todos os lados, encharcando as roupas e gelando os ossos, mas Mia se recusava a cair.

Com a coluna curvada e os pés afundando na estrada lamacenta, ela carregou Riley pelo longo caminho que se afastava da propriedade da Matilha Ebonclaw.

Sua respiração vinha em ofegos curtos, os dentes cerrados para suportar o frio.

— Só mais um pouco, querida — ela ofegou. — Aguente por mim.

Riley estava cedendo de novo. A febre queimava em seu sangue. Sua visão vacilava. O corpo parecia flutuar, pesado, distante, desaparecendo.

Carros passavam pela estrada, o ronco dos motores ecoando no asfalto molhado. As luzes refletiam nas poças. Mia chegou até o meio-fio e começou a acenar desesperada com os dois braços.

— Por favor! — gritou. — Parem! Alguém nos ajude!

Ninguém parou.

Veículo após veículo passou veloz, espirrando água sobre elas, as encharcando ainda mais. O sangue de Riley se misturava com a água suja, tingindo a rua de vermelho.

Mia tropeçou e quase caiu, mas apertou ainda mais as pernas de Riley contra si, os nós dos dedos brancos pelo esforço.

Quando suas pernas estavam prestes a ceder, um Rolls-Royce preto e impecável encostou suavemente no meio-fio. O carro parou devagar, como se a ação fosse calculada.

A janela traseira abaixou.

Dentro, um homem cuja presença exalava comando. Seus traços frios e imponente estavam parcialmente escondidos pelas sombras, mas os olhos prateado-dourados brilhavam na escuridão como os de um predador sob a luz da lua.

Capítulo 369 1

Capítulo 369 2

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