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A Filha da Alcateia (Aysel) romance Capítulo 374

Ponto de vista de Riley

A luz da manhã atravessava a estreita fresta das cortinas, lançando uma faixa dourada pálida sobre minha cama de hospital.

Talvez fosse o descanso, ou talvez os remédios finalmente tivessem feito efeito, mas minha dor de cabeça estava menos intensa hoje. Minha mente parecia menos turva, mais... desperta.

Me levantei devagar, calcei as pantufas que Mia havia me trazido e saí do quarto. Eu só queria um pouco de ar. Um momento de silêncio.

Mas o universo tinha outros planos.

Assim que virei a esquina do corredor, uma voz me atingiu como garras raspando um osso.

Doce. Fingida. Familiar.

Scarlett.

Olhei para cima e lá estava ela, andando lado a lado com Maddox.

Usava um vestido branco, maquiagem leve e aguada, como se tentasse encarnar a própria inocência. Uma faixa de gaze grossa cobria sua testa, e toda a postura gritava fragilidade. O tipo de imagem feita para implorar simpatia.

A risada dela morreu no instante em que me viu. Recuou como se tivesse visto um fantasma e, então, suavemente, tão suavemente que me deu arrepios, murmurou:

— Riley...

Maddox também parou. Seus olhos piscaram com algo que não consegui decifrar. Culpa, talvez. Piedade, talvez. Eu não me importava o suficiente para descobrir.

Fiquei parada apenas por um instante.

E então continuei andando. Passei reto por eles.

Como se fossem ar.

Mas Scarlett, como sempre, não suportava ser ignorada. Aproximou-se com a mesma expressão tímida e ensaiada que usava quando fingia estar fraca.

— Você está se sentindo melhor? — perguntou , a voz carregada de falsa doçura. — Maddox e eu viemos te visitar... Para onde você está indo?

Não respondi.

Não olhei para ela.

Mas ela continuou avançando, insistindo, cutucando com aquela preocupação fingida. Ela queria uma reação. Precisava de uma reação.

Então eu dei.

Me aproximei-me, calma e precisa e a esbofeteei com força.

O estalo ecoou no corredor como um chicote. O corpo frágil dela vacilou para trás com o impacto. A maquiagem impecável manchou sob o vermelho vivo da marca da minha mão.

Maddox a segurou antes que caísse. Passou o braço ao redor da cintura dela e, com a outra mão, me empurrou.

Com força.

— O que há de errado com você, Riley? — ele rosnou. — Scarlett veio aqui porque estava preocupada com você. E você simplesmente… a agrediu? Sem nem ouvir? O que há de errado com você?!

A voz dele estava alta, cortante de raiva. Algumas enfermeiras pararam para olhar enquanto passavam.

Cambaleei ligeiramente com o empurrão dele.

Então, sem hesitar, esbofeteei Maddox também.

— Não me toque — sibilei.

O choque no rosto dele foi quase cômico. Os olhos arregalados como se não pudesse acreditar que eu realmente tinha feito aquilo.

Mas eu não havia terminado.

— Quer saber o que há de errado comigo? — avancei um passo. — Eu quero saber o que a Scarlett pensa que está fazendo, enfiando essa atuação falsa de “pobre coitadinha ferida” na minha frente, como se eu tivesse que me importar.

Mantive o tom firme.

— Ela sabe que eu a odeio. Ela sabe que não quero nada com ela. Mas continua aparecendo na minha frente. Então sim, eu a esbofeteei. E faria de novo.

Olhei para ele, firme.

— E você… o que diabos pensa que é, Maddox? O que te dá o direito de intervir como se fosse algum nobre protetor?

Ele me encarou como se eu tivesse crescido outra cabeça.

O garoto que eu costumava seguir como uma cachorrinha. Aquele que chamava de “meu Maddox”. Meu primeiro amor. Minha figura de irmão mais velho.

Agora, me olhava como se não me reconhecesse mais.

Na verdade, eu também não o reconhecia.

— Você mudou — ele disse por fim, a voz tensa. — Você não é mais a Riley que eu conhecia. O que aconteceu com você?

Eu ri. Ri porque, se não fizesse isso, acabaria gritando.

— Você realmente vai dizer isso? Cinco anos, Maddox. Cinco anos trancada em uma cela por um crime que não cometi. Você acha que isso não muda uma pessoa?

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