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A Filha Invisível romance Capítulo 492

Wyatt acendeu o isqueiro e levou a chama ao cigarro entre os lábios dela.

A ponta do cigarro tremia levemente. Os lábios de Yunice estremeceram quando ela deu uma tragada lenta.

A chama roçou a borda, lançando um brilho vermelho suave e fraco.

Wyatt a observou com um olhar de apreciação, depois tirou o cigarro da boca dela e o colocou entre os próprios lábios.

A fumaça saiu devagar da boca de Yunice, subindo em espirais até se dissipar no ar.

Encostado na cabeceira da cama, Wyatt apoiou o braço no joelho. O cigarro pendia entre os dedos, exalando uma arrogância desleixada.

Aquele era o verdadeiro Wyatt. A postura educada e polida que ele usava com Yunice antes não passava de fachada.

Mas ele não queria mais fingir.

Ele sabia exatamente quem Yunice era.

Ela era racional demais. Quando via que um relacionamento não tinha futuro, simplesmente ia embora, sem hesitar, sem olhar para trás, sem arrependimento.

Já tinha feito isso com Paul. Wyatt não era ingênuo a ponto de achar que seria uma exceção.

Agora que Yunice sabia de Nora, ela com certeza encontraria um jeito de deixá-lo. E ele não ia permitir isso.

Wyatt jogou a cabeça para trás e soltou uma nuvem densa de fumaça.

Sua voz saiu calma:

“Você é minha esposa. Se descobrir que está tentando fugir, vou te amarrar nessa cama pelo resto da vida. Se dúvida, pode tentar.”

Yunice estremeceu. As lágrimas deslizaram pelo rosto. Naquela noite, Wyatt parecia um estranho.

Ela estava com medo dele.

Wyatt ergueu a mão e passou os dedos suavemente pelo cabelo dela. Seu olhar escureceu, mas o brilho perigoso nos olhos suavizou um pouco ao ver o rosto molhado de lágrimas.

Se ela tentasse fugir, ele realmente a trancaria numa gaiola.

Sete anos atrás, ele havia hesitado. Não cometeria o mesmo erro novamente.

Quando terminou o cigarro, apagou a brasa. Depois estendeu o braço e puxou Yunice para junto de si.

O corpo dela estava frio.

“Você está exausta. Não precisa tomar banho. Só durma.”

Yunice se deitou, tremendo de medo. Seus olhos foram parar na arma que ainda estava jogada no canto do chão.

Mas a lembrança do que tinha acabado de acontecer a deixou paralisada. Ela não teve coragem de tentar nada.

Os lençóis ainda estavam úmidos. Wyatt não os trocou.

Yunice se encolheu sobre o tecido molhado, com lágrimas caindo silenciosamente.

Ela tinha sido ingênua. Achou que um sorriso dele significava que podiam conversar como iguais, que a razão ainda valia alguma coisa.

Agora entendia: Wyatt era a lei. Não existia negociação com ele.

Yunice dormia e acordava várias vezes, num sono inquieto e fragmentado.

“Nora! Consegue me ouvir? Está consciente?”

A mulher não respondeu. Mas os dedos que Maine segurava deram o mais leve dos movimentos.

A garota desabou, rindo e chorando ao mesmo tempo.

“Nora, está acordando? Você reagiu, não foi? Não se preocupe! Vou contar pro Wyatt agora, ele precisa vir te ver…”

“Espera… Vou ligar pra ele agora mesmo…”

...

Naquele momento, Wyatt estava no quarto, torcendo uma toalha.

Yunice estava com febre. Seja pelo medo ou pelo cansaço, ela estava sem forças na cama, com uma toalha fria que ele havia colocado em sua testa.

Ele torceu uma nova e trocou a que já tinha esquentado.

Nesse instante, uma empregada bateu na porta.

“Senhor, uma moça ligou dizendo que a Senhora Nora está dando sinais de que vai acordar. Perguntou se o senhor gostaria de ir vê-la.”

Wyatt estava de costas para a porta. A empregada não conseguiu ver se ele ouviu. Ela hesitou, sem saber se repetia ou se saía.

Só quando Yunice olhou na direção dela é que a empregada se afastou em silêncio.

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