Nora ficou alguns segundos sem responder—como já era de se esperar, a ligação de Wyatt apareceu na tela.
A vibração repentina percorreu seu corpo como um choque elétrico, fazendo-a estremecer dos pés à cabeça.
Instintivamente, ela recusou a chamada e, apressada, respondeu para Wyatt no WhatsApp com apenas três palavras: "Na aula."
A ligação não veio de novo. Nem mensagem.
Nora mordeu o lábio, sentindo uma pontinha de irritação, e digitou uma mensagem: "Para de me mandar mensagem boba todo dia. Ninguém quer responder. É um saco."
O coração dela batia forte enquanto encarava a mensagem parada na caixa de texto.
Mas logo apagou tudo, sem enviar.
Depois de um tempo, respirou fundo, saiu da conversa com Wyatt e voltou a vasculhar os dados privados de Yunice.
Só que as redes de Yunice estavam limpas demais—só posts banais do dia a dia, sem nada de interessante.
Nora não engoliu aquilo.
Não acreditava que alguém pudesse ser tão certinha assim.
Será que havia arquivos escondidos?
Com essa ideia, voltou para o computador, tentando achar diretórios ocultos no sistema da Yunice.
Uns dez minutos depois, seus olhos brilharam com um lampejo de satisfação. Achou alguma coisa.
"Sabia. Você com certeza tem segredos."
Com um olhar quase obcecado, Nora acelerou a digitação. O programa rodava rápido, linhas de código passando pela tela. Quando a barra de progresso chegou ao fim, ela se aproximou.
"Abriu..."
Murmurou, franzindo a testa enquanto clicava no sistema de e-mails oculto. Mas, assim que encostou o dedo no mouse, sua expressão mudou na hora.
"Ah, não!" Ela fechou o notebook com força.
…
Na sala de suprimentos.
Tommy olhou para o relógio no prédio acadêmico. O tempo parecia não passar.
Ele lançou outro olhar para Yunice. Ela estava sentada, tranquila, e ele soltou um suspiro pesado.
Não fazia ideia de como Yunice planejava sair daquela armadilha.
Yunice também observava o relógio. Depois que o ponteiro dos minutos deu duas voltas completas, ela enfiou a mão na mochila e tirou um comprimido.
“Tommy, toma isso.”
Ela ficou de olho no tempo, calculando. Quando achou que o pessoal da entrega estava chegando perto da sala de suprimentos, foi rápido até a porta.
Encostou o ouvido na madeira, prestando atenção.
Tommy, suando em bicas, olhava para ela cheio de ansiedade.
Se Wendy realmente quisesse acabar com a reputação dela, com certeza viria destrancar a porta.
Yunice não se mexeu até ouvir um ruído leve na porta. Então olhou para trás e fez um sinal de confirmação para Tommy.
O barulho da fechadura sendo forçada era baixo, mas o tilintar da corrente batendo na porta era mais alto—dava para ouvir bem de perto.
Ela esperou até a pessoa do lado de fora tirar a corrente do aro—e então escancarou a porta!
Mas não era Wendy ali. Era só o seu pequeno capanga, assustado!
Yunice travou por um segundo. O plano mudou, mas ela reagiu rápido—agarrou o capanga e puxou para dentro. Eles trocaram de lugar na hora.
Com um estrondo, Yunice bateu a porta, trancando o capanga e Tommy dentro da sala de suprimentos!
Ela segurou firme a maçaneta e olhou para a escada—Wendy estava ali, agindo de forma suspeita. Atrás dela, passos de outras pessoas subindo.
Wendy viu Yunice e ficou chocada. Instintivamente, levou as mãos à boca como um megafone e gritou: “Tem um professor e uma alu—”
Antes mesmo de terminar a frase "aluna aprontando", um apagador de quadro voou e acertou em cheio o rosto dela.

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