Se Victor descobrisse, ela e Marie estavam perdidas.
Enquanto Abraham lhe entregava as roupas, ela balançou a cabeça e disse: “Você andou pegando uns hábitos ruins, aposto que é culpa do Eddie.”
Stella nem tentou argumentar. Não é a mesma coisa.
Eddie falava o que queria na cara da pessoa ou pelas costas. Pelo menos ela mantinha as coisas em segredo... Embora, sinceramente, isso não tornasse a situação muito melhor.
...
O céu sobre Rivermount havia se aberto. Sem nenhum sinal de neve naquele dia.
Mas o vento continuava uivando do lado de fora, e o frio era cortante.
Dentro da propriedade, porém, o ambiente era quente e silencioso.
Depois que os dois se arrumaram, desceram juntos. O mordomo se aproximou com respeito.
“Sr. Abraham, alguém da família Reed está esperando no portão principal.”
O portão ficava a quase um quilômetro da mansão.
Abraham olhou para Stella. “Se for alguém que vá te deixar irritada, posso simplesmente...”
As palavras saíram frias da boca dele, num tom cortante e perigosamente ameaçador.
Stella estreitou os olhos. “Quem é?”
“Sra. Carter.”
Claro, pensou Stella. Fazia sentido. Patrick agora estava obcecado com aquelas gêmeas, e Jonathan ainda estava ferido, ele não apareceria. E com Rebecca no meio disso? Se ele continuasse defendendo Lillian, aquela mulher colocaria o lugar abaixo.
Então sim, fazia sentido ser Susan.
A expressão de Stella enrijeceu-se. “Se ela quer esperar, que espere. Não vou vê-la.”
Ela sabia que Susan estava ali por causa de Lillian. E com gente assim? O melhor é fechar a porta antes mesmo que pensem em bater.
Abraham fez um leve aceno para o mordomo, com um olhar frio e indecifrável.
O mordomo entendeu na hora.
“Sim, senhora”, respondeu a Stella, recuando.
Abraham conduziu a jovem até a sala de jantar para o café da manhã. O mordomo, acompanhado de dois funcionários, saiu discretamente da mansão.
…
No portão principal...
Susan estava no frio, furiosa.
Ela recuou instintivamente. "O-o que estão fazendo? Vim ver minha filha! Estou avisando... A Stella é minha filha biológica. Se vocês me tocarem, ela não vai perdoar ninguém!" A mulher tentou soar firme e segurou a compostura.
Ela não esperava por aquilo.
Na verdade, os sentimentos de Susan em relação a sua filha já estavam confusos havia um tempo, com um misto de culpa e arrependimento. Odiava Stella pelo que ela havia feito com a família Reed mas, lá no fundo, também se arrependia de nunca tê-la tratado melhor.
Se ao menos tivesse soubesse que Stella havia sido criada pela família Luke e o quanto eles a amavam.
Se tivesse mostrado um mínimo de apoio a ela, em vez de sempre tomar o lado de Lillian, talvez a família Reed não tivesse se despedaçado.
Mas antes que pudesse pensar em alguma coisa, as duas empregadas a agarraram sem hesitar.
“Ei! O que vocês estão fazendo? Me soltem! Sou a mãe da Stella! Não podem me tratar assim! Me soltem!” Ela se debateu, com o coração disparado, tomada pelo pânico.
E talvez, se não tivesse mencionado o nome de sua filha, elas tivessem sido mais brandas. Mas no momento em que ela o fez, os rostos das mulheres se tornaram mais frios e indiferentes. A tensão no ar se tornou letal.
“Ah!” O grito de Susan ecoou pelos céus de Seaflats Cove. Ela levou a mão ao joelho, arfando de dor. Elas realmente a haviam arrastado e jogado longe, como se fosse lixo.
Ela caiu com força no chão, seus joelhos queimavam, e sua visão ficou turva de tanta dor.
Nunca imaginou que a tratariam daquele jeito. Sentou-se no chão, segurando o joelho, suando de agonia.
E então, uma das funcionárias deu um passo à frente e puxou algo frio e metálico, apontando diretamente para ela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A garota errada e a garota injustiçada
Que pena um dos site que ainda a poderia nos fornecer leituras sem pagamento e complicação infelizmente não é mais...