Halina foi direto ao ponto e perguntou:
— É mesmo só fuligem de nanquim?
— Lógico que é, acha que eu perderia meu tempo mentindo? — Kleber retrucou.
Uma onda de alívio tomou o rosto de Yana, que se apressou em tranquilizar Mariana.
— Mariana, ouviu isso? Você não foi envenenada. O Doutor Kleber é o maior gênio da medicina na Cidade H, não há como duvidar dele!
Mariana, naquele momento, estava dominada pelo medo irracional. Com os olhos fixos nas costas da mão vermelha e inchada, ela balançava a cabeça incessantemente.
— Não, eu consigo sentir minha respiração acelerando. É impossível que eu esteja bem.
Incapaz de suportar a cena, Kleber advertiu:
— Senhorita Alves, por favor, acalme-se. A sua respiração só está ofegante porque você está tendo um ataque de pânico. Sente-se e descanse por alguns minutos, e tudo passará.
— Exato, Mariana. Venha, vou te ajudar a deitar um pouco. — Yana estendeu as mãos, mas foi pega de surpresa ao ser empurrada com violência por uma Mariana supostamente fraca.
— Eu estou morrendo, não quero descansar! Vocês estão todos mentindo para mim!
— Mariana! — Yana, pasma com a teimosia beirando a loucura da filha, tentou alertá-la novamente. — O Doutor Kleber é o melhor médico da Cidade H, o diagnóstico dele não falha.
Mariana, no entanto, soltou uma risada seca e amarga.
— E daí que ele é o Doutor Kleber?! Ele não consegue nem curar as pernas do Senhor Capelo, como vou saber quanto tempo ele levaria para criar um antídoto?! E se eu acabar no mesmo estado, o que eu faço?!
Ao ouvir aquelas palavras, a expressão até então indiferente de Percival escureceu como o céu antes de uma tempestade.
Uma atmosfera opressiva pairou no ar, sufocando todos.
— Senhorita Alves, meça suas palavras. A habilidade do Doutor Kleber é amplamente reconhecida, e as pernas do Senhor Percival já estão apresentando melhoras. Pare de fazer insinuações levianas. — Elvis interveio com um semblante severo. Havia limites que nem mesmo ela poderia cruzar.
Mariana encolheu os ombros, intimidada pelo olhar gelado e impenetrável de Percival, mas continuou a retrucar por pura teimosia:
— Eu não vi fuligem nenhuma. Se vocês não estão mentindo, então o que é isso?
Lorena deu uma risada de deboche.
— É verdade. Estão todos mentindo para você.
Mariana arregalou os olhos, estampando o terror no rosto.
— Aquilo era veneno mesmo, e fui eu quem o colocou lá. — O tom de Lorena era absurdamente casual.

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