Glória imediatamente olhou para Lorena e seus olhos opacos e velhos tremeram.
Lorena cruzou o olhar com a idosa: seus olhos pareciam vagos, mas guardavam um olhar cortante que fez seu peito se contrair de alerta.
Essa era a sensação que ela sentia sempre que percebia perigo.
Essa velha Glória...
Glória deu um sorriso doce, e toda a intensidade desapareceu dos seus olhos: — Digna da Senhorita Kellen. Ela parece exatamente com a senhora, que maravilhoso! Ela me lembra da senhorita quando era nova.
— Que nada. Lorena é melhor que eu, eu não sabia fazer nada na idade dela, já ela sabe. — Kellen não resistia ao imenso orgulho sempre que tocava na filha.
Lorena fitou Glória por um instante e soltou um breve sorriso: — Mãe, do que devo chamar essa idosa?
Quando a mulher ia dizer alguma coisa, Glória tomou a vez de fala: — Não me leve muito a sério, jovem senhorita, me chame de Glória, como todo mundo.
Kellen sorriu. — Se eu a chamo assim, a Lorena não pode chamar, porque assim ela e eu ficaremos da mesma geração, não acha?
Glória bateu na própria cabeça em lamento. — Como pude ser tão boba? Tudo bem então. Caso não queira, jovem senhorita, pode me chamar de Vovó Glória.
Lorena dobrou o canto da boca. — Olá, Vovó Glória.
Glória concordou.
A Vovó Adelaide pegou a mão da menina para se aconchegarem, e no fim até insistiu para andarem de mãos juntas.
Todo aquele privilégio e preferência fez Tânia ficar enciumada.
No hospital antes a avó até tinha percebido a sua angústia, e agora a mulher parecia alheia e cega.
Mesmo que Lorena fosse o foco de tudo por conta da festa, não era como se ela estivesse invisível a ponto de a avó não notá-la, não era?
Será que toda aquela atenção não era uma farsa?
— Senhorita Tânia, o que houve? Está tão para baixo... — Glória, que ficara atrás, notou seu abatimento e perguntou num tom empático.
Tânia tinha passado um tempo com Glória na infância. Apesar de não ter durado muito antes da idosa ir embora, ainda tinham laços fortes.

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