O dia de se matricular na Universidade N chegou muito rápido. Aproveitando a ida para conversar com o diretor, Adilson escoltou as duas irmãs até lá.
No momento da partida, Kellen não aguentou o peso da despedida e agarrou a mão de Lorena, com o coração apertado.
— Lorena, a capital fica a poucas horas da Cidade H. Se algo a chatear ou se você não se adaptar, faça as malas e volte para casa. Prometa que não vai esconder o sofrimento de nós.
Lorena confirmou com a cabeça, com uma docilidade rara:
— Entendido.
Cristiano também estava triste por vê-la sair. Não aguentando mais esconder os sentimentos, falou com carinho de pai:
— Não queira resolver o mundo sozinha lá fora. Você tem o seu pai e a sua mãe na retaguarda. E quando retornar nas próximas férias, os seus outros irmãos também estarão em casa, para fazermos a festa que a consagrará formalmente como membro da nossa linhagem.
Novamente, Lorena assentiu:
— Entendido.
Cristiano voltou os olhos para Tânia:
— O mesmo serve para você, Tânia. Qualquer complicação, conte conosco.
— Pode deixar, papai. — Tânia exibiu o seu melhor sorriso dócil.
Quando se voltou para Adilson, o sorriso de Cristiano sumiu. O rosto endureceu e a voz assumiu uma rigidez implacável:
— Moleque, cuide muito bem das suas irmãs!
— Deixe comigo, pai. — Adilson riu, acostumado às broncas.
Pouco tempo depois, o grupo pegou a estrada.
Na Universidade N, o gabinete do diretor, conhecido por ser rigoroso, estava uma bagunça total.
— Rápido, venha cá me dizer qual fica melhor. Gravata convencional ou gravata-borboleta?
O velhote de cabelos esbranquiçados, enfiado numa camisa cinza social, estava impecavelmente ereto na frente do espelho, testando as opções próximo ao colarinho.
Às suas costas, o coordenador — que vestia um terno formal — tremia de medo de parecer indiferente, mas não ousava ser quem martelaria a escolha final. Sondou com cuidado:

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