De repente, o celular vibrou. A princípio, ela ignorou, mas as vibrações tornaram-se cada vez mais frequentes, forçando-a a abrir os olhos.
Eram todas mensagens do reitor.
[Lorena, onde você está?]
[Não estou te apressando, só quero confirmar a sua localização.]
[Vai me ignorar? Snif...]
[Hoje até coloquei uma gravata especial e arrumei o cabelo, você com certeza vai me ver assim que chegar!]
Lorena imaginou o velho reitor arrumando a roupa e o cabelo o tempo todo, esticando o pescoço para vê-la, e não conseguiu segurar um sorriso.
Ela deu uma olhada no GPS e respondeu: [Estou quase chegando, falta menos de um quilômetro.]
— Lorena, se você já descansou, posso te contar um pouco sobre a Universidade N. Tenho receio de que, por não conhecer as regras de lá, você acabe cometendo alguma gafe. — Tânia tomou a iniciativa ao vê-la acordada.
Lorena sequer olhou para ela, mantendo a cabeça baixa enquanto continuava a mexer no celular.
— Não precisa. Quando eu chegar lá, descubro naturalmente.
— Mas a Universidade N não é como as outras faculdades. Algumas regras não são escritas, e você pode não entender logo de cara. Não seria melhor eu te explicar antes? — Tânia insistiu, sem se dar por vencida.
Lorena, já um pouco impaciente, lançou-lhe um olhar gélido.
— Não me importo com as regras da Universidade N. Para mim, só existe uma regra: se não mexerem comigo, eu não mexo com ninguém.
Tânia pareceu assustada com as palavras, encolhendo-se e encostando-se em Adilson, com uma expressão dividida entre a mágoa e a decepção.
— Lorena, será que existe algum mal-entendido entre nós? Tenho a sensação de que você sente hostilidade por mim. Fiz algo de errado?
Lorena soltou um murmúrio de indiferença, com a expressão inalterada.
— Se você acha isso, então é. Será que agora você pode ficar quieta?

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