Mas com uma distância tão imensa entre nós, nunca vou conseguir chegar ao nível dela em toda a minha vida.
Naquele instante, ela enfim percebeu o valor do elogio que seu pai havia feito a Lorena.
E os que haviam zombado de Lorena sobre sua incapacidade não tinham mais o que dizer.
Ninguém tinha coragem de dizer algo, mesmo com Glória tentando instigá-los em segredo.
Diante de um espetáculo tão perfeito, tentar criticar as coisas só faria com que todos se voltassem contra eles e os destróissem de vez.
— Bando de imprestáveis e fracassados! — Rangendo os dentes, Glória rosnou furiosa quando viu todos calados como se estivessem envenenados.
Logo, Pietro Peixoto acordou de seu transe.
Voltou a olhar para Lorena no palco. O olhar era tão frio quanto um abismo.
E de fato um verdadeiro tesouro.
Ele gostava cada vez mais do que via.
Quando ameaçou se levantar para ir até ela, o telefone em seu bolso vibrou.
Olhou para a tela e notou que era Valentina Peixoto.
Franziu um pouco o cenho. Voltou a olhar para Lorena e reparou que Gildo e o Reitor Cavalcante haviam cercado a garota enquanto desciam as escadas do palco.
Ficou onde estava por mais alguns segundos e decidiu partir.
— Garota, o seu som foi tão bom agora pouco! Não me admira que aquele velho te elogie tanto. Se eu escutasse a sua música todo santo dia, aposto que viveria por mais alguns anos! — Sorrindo de modo insinuante, o Reitor Cavalcante tentou trazer a moça para o seu lado.
Gildo logo percebeu a indireta do colega e começou a revidar: — Lorena, a universidade da capital não é uma boa escolha. Com a sua capacidade, estudar é um desperdício de tempo. Por que não vem realizar uns testes comigo? Já estudei algumas coisas que me trouxe antes e pensei em algumas alternativas. Quer dar um pulo no Instituto de Biotecnologia mais tarde para discutirmos?

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