Felícia vestia o vermelho que só a Imperatriz podia usar, deixando transparecer sua ambição. Ela já era naturalmente deslumbrante, e com a maquiagem realçada, atraía todos os olhares, superando facilmente as demais concubinas.
Mas, quando Imperatriz apareceu, todos os olhares que antes se voltavam para Felícia desapareceram instantaneamente.
Ela seguiu o movimento dos outros e, de repente, seus olhos se arregalaram...
Íris vestia um traje imperial amarelo, com uma coroa de fênix, radiante, elegante e majestosa.
Se Felícia era uma beleza que encantava o mundo, a Imperatriz era a própria perfeição.
A primeira era como uma flor no lago, deslumbrante e provocativa, despertando desejo e imaginação.
A segunda era como a lua no céu, inacessível, que fazia qualquer um se sentir indigno e sem coragem de nutrir qualquer pensamento impuro, apenas a adorando com cuidado. Era uma beleza que inspirava submissão.
A Imperatriz-Mãe, sentada em seu lugar, olhou para a Imperatriz e ficou um pouco atônita.
O casal ideal, a combinação perfeita.
A Imperatriz parecia realmente deslumbrante, como se estivesse destinada a ser da família imperial.
As mulheres da família Castelo não eram conhecidas à toa.
Aquela aura de comando, que fazia os outros se curvarem, emanava de seus ossos, algo que ninguém poderia fingir, como Felícia, tão delicada, que nunca conseguiria reproduzir aquilo.
Os emissários só lançaram um olhar para Íris e automaticamente abaixaram os olhos.
— Saudações, Imperatriz. — Disseram respeitosamente.
As mangas largas de Íris quase tocavam o chão, caindo elegantemente conforme ela estendia os braços.
— Podem se levantar. — Respondeu ela.
Mateus, sentado em posição elevada, passou os olhos sobre Íris de maneira quase imperceptível. Ele sentiu que havia algo diferente nela naquele dia, mas não conseguia identificar exatamente o quê.
Os olhos de Felícia se estreitaram, frios.
“Maldita! Chegou atrasada de propósito e se vestiu tão chamativa... Quem ela pensa que vai atrair? Hoje, é o banquete de recepção aos emissários, e ela ainda ousa roubar a cena! Mais tarde, ela vai se arrepender...”, pensou ela consigo mesmo.
O banquete tinha como objetivo receber os emissários, e, para não parecer rígido demais, os oficiais podiam levar um acompanhante.
Kleber estava com seu primogênito, Gilberto. Mas como seu filho mais novo, Fernando, ocupava um cargo Oficial de Comunicações e era responsável pelos emissários, ele também pôde participar do banquete, se sentando com destaque ao lado dos emissários.
Logo no início do banquete, surgiram comentários maliciosos entre a multidão:
— O Imperador de Gretis realmente é um grande homem! No caminho até a capital, ouvimos rumores sobre a Imperatriz...
Quem falava era Rodrigo, um dos emissários de Petris.
Ele não era muito alto, tinha um bigodinho ralo e os olhos finos que se moviam de um jeito inquietante, lembrando ratos e causando desconforto.
— Estão falando que a Imperatriz foi sequestrada por bandidos antes do casamento...
Fernando estava sentado ao lado de Rodrigo, com o coração agitado.
Ainda havia gente que acreditava naquele boato?
Quando o rumor surgiu, ele e a mãe tinham ido investigar junto à família, mas não ouviram nada de anormal.
Pensando bem, também fazia sentido. Desde que Leona tinha sido escolhida pelo falecido Imperador como futura nora, aos doze anos, o pai dele tinha construído um quarto de dois andares na casa principal, com pessoas vigiando dia e noite. Com medo de qualquer contratempo que pudesse impedir Leona de se tornar Imperatriz, a proteção era rigorosa.
Nem ele, nem Gilberto, podiam entrar lá, os irmãos só se falavam por algumas palavras através da porta.
Com tamanha vigilância, como Leona poderia ter sido sequestrada por bandidos?
As palavras dos emissários deixaram o salão em silêncio absoluto.
— É claro que nós, emissários estrangeiros, sabemos que são apenas boatos. Mas eu realmente admiro o Imperador de Gretis! Enfrentar rumores assim e ainda assim se casar com uma mulher de reputação manchada como a Imperatriz... Que coragem! Que determinação! Admiro mesmo! Hahaha...
Suas palavras, no entanto, soavam mais como escárnio, e seu olhar transbordava desprezo.
Mateus franziu a testa, seus olhos ficaram ainda mais frios e cortantes, seus lábios se entreabriram:
— Para acabar com esses boatos, já mandei matar várias pessoas. Não me importo em matar mais algumas.
Rodrigo congelou por um instante. O Imperador de Gretis queria matar ele?
Em geral, mesmo em guerra, não se devia matar os emissários do outro país. Ele não se importava com a reprovação do mundo inteiro?
Naquele momento, Íris falou com calma:
— O senhor deve se considerar sortudo por não ser de Gretis. Caso contrário, veria que o Imperador não é apenas corajoso e determinado, mas também defensor de punições severas.
Rodrigo soltou uma risada nervosa.
— Isso... É óbvio.
Íris continuou:
— Há muitos boatos, mas eles cessam diante da sabedoria. Houve rumores dizendo que o genro da princesa herdeira do seu país matou sua esposa por ambição. Que o Primeiro-Ministro famoso por amar sua esposa sofria de uma doença venérea. E que o senhor, emissário, tinha um odor estranho, seis dedos nos pés, e até mesmo que o seu próprio soberano...
Os ministros de Gretis ficaram boquiabertos, nunca imaginaram que Petris fosse tão “animada”.
Ao ouvir aquilo, o rosto de Rodrigo ficou vermelho como um tomate.
Os outros emissários também mudaram de expressão imediatamente.
Como poderia a Imperatriz de Gretis saber tanto e ainda se atrever a falar sobre seu soberano? Não podiam deixar ela continuar.

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