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A Guerreira Virou Imperatriz: Vinganças e Intrigas romance Capítulo 240

Mesmo que Íris tivesse pedido para arrancar a flecha, mesmo quando aquela ferida estava em seu próprio corpo, o Médico Imperial ainda aguardava a ordem do Imperador.

O rosto de Mateus estava gelado ao extremo, mas logo assentiu:

— Arranque.

Com a autorização dele, o médico puxou a flecha com precisão de ângulo e força.

Íris apertou o lençol debaixo das mãos e deixou escapar apenas um gemido abafado, sem soltar nenhum grito de dor. O suor escorria em gotas grossas, encharcando os fios de cabelo junto à sua têmpora.

O médico examinou de imediato a ponta de ferro da flecha. De repente, sua mão tremeu e ele falou em direção a Mateus:

— Majestade, exatamente como eu suspeitava... Havia veneno!

— Há risco de vida? — Mateus perguntou de pé, sem se mover.

— Felizmente foi retirada a tempo. A Imperatriz não corre perigo.

Dizendo isso, o médico começou a tratar o ferimento com rapidez.

Mateus permaneceu à beira da cama, observando em silêncio, com o olhar sombrio.

O médico cortou o tecido das costas de Íris e preparou um líquido especial para lavar a ferida várias vezes, dissolvendo o veneno que havia penetrado na carne, antes de aplicar o pó medicinal e fazer o curativo.

— Imperatriz, vai doer bastante... Tente aguentar.

Deitada de lado, com metade do rosto afundado no travesseiro, Íris estava pálida e frágil, mas a firmeza em seus olhos não deixava dúvidas.

Quando o líquido tocou a ferida, a dor foi como milhares de formigas invadindo e mordendo sua pele.

Ela cerrou os punhos e rangeu os dentes, suportando em silêncio.

O médico ficou impressionado.

Até homens fortes não suportavam tamanha dor, mas a Imperatriz resistiu sem emitir um som.

Ele apressou o tratamento, lavando a ferida mais algumas vezes, pressionando até que o sangue saísse limpo e vermelho, sem vestígios de veneno, e só então parou.

Íris, exausta, finalmente desmaiou.

Depois de aplicar os medicamentos, o médico hesitou. Embora, como médico, não devesse haver distinção entre homens e mulheres, se tratava da Imperatriz...

Para concluir o curativo, seria preciso enfaixar o torso dela, o que exigiria retirar as roupas da frente.

Cauteloso, ele sugeriu:

— Majestade, talvez seja melhor chamar uma das curandeiras do palácio para cuidar do curativo.

Eles as chamavam de “curandeiras”, embora não fosse um título oficial. Elas eram damas velhas, experientes, que atendiam não só as concubinas da corte, mas também as servas. No entanto, eram desprezadas por muitos, consideradas impuras por tocarem nos corpos das mulheres.

Por isso, elas viviam isoladas nos cantos do palácio.

Da Sala de Descanso onde estavam até lá, ida e volta levaria pelo menos meia hora.

Mas o ferimento da Imperatriz precisava ser tratado imediatamente.

Mateus refletiu por alguns instantes, o olhar frio como gelo.

— Saia. — Ele ordenou em tom seco.

Depois, fechou as cortinas do leito e entrou sozinho.

Omar, parado junto à porta da sala, manteve a distância correta.

No meio da multidão, a figura de Samuel parecia isolada, distinta. Mesmo cumprindo a mesma reverência que os outros, seus gestos carregavam uma elegância natural, revelando a nobreza que lhe era inata.

Ele tinha chegado em silêncio e partiu da mesma forma, sem querer incomodar ninguém.

De repente, o Príncipe Roy o chamou:

— Mano, pode haver assassinos escondidos no palácio. Eu o acompanho até a saída.

Pelos longos corredores, as silhuetas dos dois se assemelhavam, ambos irradiavam serenidade e um charme refinado.

Já diante do portão do palácio, no momento da despedida, Roy falou se repente:

— A Imperatriz sempre amou profundamente o Imperador, a ponto de arriscar a própria vida por ele. Mano, fique tranquilo. Com esse gesto dela, o Imperador jamais vai pensar que você e a Imperatriz tinham qualquer envolvimento por causa do incidente dessa noite.

Samuel não respondeu, apenas juntou as mãos diante do peito e se inclinou levemente:

— Vou me retirar.

Roy permaneceu parado, acompanhando ele com os olhos enquanto se afastava. Pouco a pouco, seu olhar se obscureceu.

Aquele Príncipe deposto nunca deveria ter voltado.

...

No Palácio da Longevidade, Wanda também havia retornado junto com a Imperatriz-Mãe.

Assim que entraram nos aposentos internos, a Imperatriz-Mãe dispensou todos os servos, inclusive a Dama Judite.

Em seguida, encarou Wanda e, com voz severa, ordenou:

— Se ajoelhe!

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